LUTO EM LUTA

LUTO EM LUTA

(Luto em Luta)

2012 , 72 MIN.

Gênero: Documentário

Estréia: 21/09/2012

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Pedro Serrano

    Equipe técnica

    Roteiro: Pedro Serrano

    Produção: Pedro Serrano, Sophia Tess

    Fotografia: Ricardo Marques "Kbça"

    Trilha Sonora: Lucas Mayer

    Estúdio: Like Filmes

    Distribuidora: Independente

  • Crítica

    17/09/2012 07h15

    Uma frase dá o tom do filme Luto em Luta: "Não espere perder um amigo para mudar sua atitude no trânsito". O diretor Pedro Serrano, infelizmente, perdeu. Em julho de 2011, o administrador Vitor Gurman foi morto, atropelado aos 24 anos por um Land Rover desgovernado em São Paulo. O caso ganhou as manchetes entre outros muitos episódios de violência no trânsito que se repetem na cidade. Tragédias lamentáveis das quais, invariavelmente, mesmo culpados, os condutores não são punidos adequadamente.

    Pedro é um dos fundadores do movimento Viva Vitão, que mobiliza a sociedade para se conscientizar de que é preciso uma mudança de atitude drástica para que milhares de pessoas deixem de perder suas vidas em acidentes de trânsito no país. Seu filme acompanha outros casos dramáticos, como o atropelamento da ciclista Juliana Dias, 33, por um ônibus na avenida Paulista, em março de 2012. Entrevista ainda Rafael Baltresca, que, após perder a mãe e a irmã, fundou o movimento Não foi Acidente, que tenta colher 1,3 milhão de assinaturas para endurecer as leis de trânsito.

    Ambientado na realidade paulistana, a mensagem de Luto em Luta vai longe ao escancarar o caos que se tornou o trânsito brasileiro como um todo. Por meio do depoimento de vítimas, familiares e especialistas, denuncia a dura realidade das pessoas envolvidas direta ou indiretamente nos episódios, que deixam marcas e cicatrizes para o resto de suas vidas.

    Cheio de informações estatísticas, inseridas ao longo do filme de forma equilibrada, sem o tonar maçante, Luto em Luta revela que o trânsito paulistano mata mais que as guerras no Iraque e desastres naturais como os terremotos no Japão ao longo de um ano. Os dados estão casados a depoimentos embasados de Heródoto Barbeiro, Floriano Pesaro, José Gregori, Gilberto Dimenstein e Rafael Baltresca, que apontam numa mesma direção: algo precisa ser feito para mudar essa realidade. O filme também vai às ruas mostrar in loco a falta de educação dos motoristas e o comum desrespeito aos pedestres.

    A produção, de 72 minutos, é dividida em três partes. No primeiro, intitulado "Barbárie", reúne especialistas, ativistas e vítimas que mostram a relação entre a irresponsabilidade e as mortes. Nas duas outras partes, "O Luto" e "A Luta", o longa retrata as pessoas que perderam parentes e amigos e como se organizaram para cobrar mudanças e exigir punições mais severas aos condutores irresponsáveis.

    Bem dirigido, montado e com trilha sonora pertinente a cada uma das partes que o compõem, Luto em Luta propõe com êxito a reflexão a quem o assiste. Se cada brasileiro na condução de um veículo o visse antes de sair de casa, as coisas seriam bem diferentes. Mas, como é dito no filme, apenas educar e levar á reflexão não basta. É preciso punir com rigor quem transforma carro em arma letal. Neste aspecto, o filme de Serrano é mais um desabafo – só que com a força e alcance do cinema – a clamar por mudança. Que trafegue por muitas praças, este longa.

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