LUZ SILENCIOSA

LUZ SILENCIOSA

(Stellet licht/ Silent Light)

2007 , 127 MIN.

Gênero: Drama

Estréia: 22/05/2008

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Carlos Reygadas

    Equipe técnica

    Roteiro: Carlos Reygadas

    Produção: Carlos Reygadas, Jaime Romandía

    Fotografia: Alexis Zabé

    Elenco

    Cornelio Wall Fehr, Elisabeth Fehr, Jacobo Klassen, María Pankratz, Miriam Toews, Peter Wall

  • Crítica

    22/05/2008 00h00

    Alguém já tinha ouvido falar na comunidade Menonita? Pois bem, esta é uma das maravilhas do cinema: abrir novas janelas, novos horizontes e conhecimentos por meio da mágica tela de projeção. Eu nunca tinha ouvido falar, assim como jamais havia tomado conhecimento dos Amish antes de ver o filme A Testemunha, isso lá pelos anos de mil-novecentos-e-Harrison-Ford.

    Os Menonitas que vemos em Luz Silenciosa são seguidores de um movimento religioso radical surgido na Europa e se estabeleceram no norte do México. Eles defendem o princípio do pacifismo radical e rejeitam qualquer tipo de modernidade, como televisão, telefone ou internet. O filme se centraliza no drama de Johan (Cornelio Wall Fehr), um homem casado, pai de família, que se apaixona perdidamente por outra mulher. Ao trair sua esposa, Johan mergulha numa profunda depressão, causada pelos rigores de sua seita, e coloca em risco não apenas a sua estrutura familiar, como também seu convívio social e até a sanidade mental daqueles que o rodeiam.

    A beleza do filme está em sua opção estética narrativa. O diretor e roteirista mexicano Carlos Reygadas (neste seu primeiro trabalho a chegar no circuito comercial brasileiro) faz um mergulho profundo no universo Menonita, como que colocando o espectador neste mundo estranhamente irreal. O tempo é outro. Na ausência da modernidade, o silêncio é sepulcral, os diálogos são poucos, as distâncias são gigantescas e os planos abertíssimos nos remetem a um mundo estranho. Em nenhum momento (salvo uma rápida referência na placa de uma camionete) se informa que a ação se passa no México. O dialeto alemão Plautdietsch também contribui para fazer de Luz Silenciosa uma experiência quase alienígena. Isso sem contar que não há atores no filme: todos os personagens são interpretados por moradores reais da comunidade Menonita.

    É evidente que neste estilo de trabalho não se deve buscar uma trama convencional, muito menos explicações fácies e racionais para o que se vê na tela. É necessária uma dose de boa vontade para embarcar nesta viagem mística e até esotérica proposta por Reygadas. Quem embarcar será recompensado.

    Luz Silenciosa já coleciona 20 premiações internacionais, incluindo Havana, Huelva, Fortaleza, Rio de Janeiro e até Cannes, onde ganhou o Prêmio Especial do Júri.

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