LUZES NA ESCURIDÃO

LUZES NA ESCURIDÃO

(Laitakaupungin Valot)

2006 , 78 MIN.

14 anos

Gênero: Drama

Estréia: 07/05/2010

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Aki Kaurismäki

    Equipe técnica

    Roteiro: Aki Kaurismäki

    Produção: Aki Kaurismäki

    Fotografia: Timo Salminen

    Estúdio: Sputnik Oy

    Distribuidora: Pandora

    Elenco

    Andrei Gennadiev, Ilkka Koivula, Janne Hyytiäinen, Maria Heiskanen, Maria Järvenhelmi, Sergei Doudko

  • Crítica

    25/04/2010 19h35

    Luzes na Escuridão é o encerramento de uma trilogia formada por Nuvens Passageiras e O Homem sem Passado. Não assisti aos outros dois filmes, o que limita meu conhecimento sobre o jeito de Ari Kauristämi de dirigir. Mas, olhando apenas para Luzes na Escuridão, fiquei tremendamente espantado com tamanha frieza.

    O gélido não está necessariamente no tema. Afinal, o filme fala de um segurança, Koistinen (Janne Hyytiäinen), que vai perdendo, bem devagarinho, todo o seu lastro de dignidade. No começo, ele já não tinha muito e, com o desenrolar da história, fica com menos ainda. Um desgraçado, por assim dizer.

    Dó, pena, identificação e afeto, sentimentos que poderiam surgir enquanto acompanhamos Luzes na Escuridão, simplesmente não aparecem. Aí entra a mão de Kauristämi, que traz todo o frio da Finlândia para a sua direção. Não há cores quentes (exceto por uma personagem que atravessa a vida de Koistinen). A câmera é sóbria. Os atores, provavelmente à pedido da direção, são secos. Mesmo que Koistinen mude de rumo durante o filme, ainda assim salta um cheiro de trajetória plana. Não importa o que aconteça, sua vida será sempre um nada.

    Parece que, antes de percorrerem uma longa estrada até chegar a nós, o sangue dos personagens foi congelado ou retirado. O que me leva a pensar que, se Luzes na Escuridão é também um retrato, a partir de um exemplo, da frieza de um país, então a Finlândia deve ser um local inabitável!

    Koistinen é praticamente um robô, praticamente sem vontade própria. Está à deriva e parece não pisar mais nesse mundo. Como se afeiçoar, irritar, admirar, odiar? Como se relacionar com um filme que é gélido?

    Justamente essa equação com a maneira de narrar que eu não consigo entender. Por que buscar essa frieza e distância? Por que ele mantém o jogo da crença com o espectador – ao não lembrar que se trata de um filme e manter o pacto de acompanhamento da realidade – se nos mantém a quilômetros de seus personagens?

    O Kauristämi de Luzes na Escuridão transparece toda sua indiferença com o espectador. Talvez o que ele quisesse fosse provocar raiva. Ou dizer ao espectador que há sempre uma esperança, mesmo aos desgraçados. Mas o que Luzes na Escuridão me provocou realmente foi indiferença.

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