Made in China

MADE IN CHINA

(Made In China)

2014 , 96 MIN.

10 anos

Gênero: Comédia

Estréia: 06/11/2014

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Estêvão Ciavatta

    Equipe técnica

    Roteiro: Claudio Lisboa, Estêvão Ciavatta, Mauro Wilson, Patrícia Andrade, Rosane Lima

    Produção: Eliana Soárez, Estêvão Ciavatta

    Estúdio: Conspiração Filmes, Pindorama Filmes

    Distribuidora: H2O

    Elenco

    Gilberto Marmorosch, Juliana Alves, Liou Sheanjiuan, Luis Lobianco, Otávio Augusto, Regina Casé, Tony Lee, Xande de Pilares, Yili Wang

  • Crítica

    06/11/2014 11h25

    A proposta de Made In China é ser uma comédia que foge dos padrões atuais e vai mais a fundo em um assunto delicado. A ideia é boa, mas o longa falha na execução e não foge da mesmice das comédias nacionais. O filme de Estevão Ciavatta, com sua mulher Regina Casé como protagonista, propõe uma imersão no mundo do Saara, centro do comércio popular do Rio de Janeiro, e a competição com produtos chineses, mas não aprofunda o assunto, nem se destaca nas piadas e só resta é lamentar que um filme com tantas possibilidades acabe decepcionando.

    Na trama, Regina é Francis, funcionária da loja do seu Nazir (Otávio Augusto), comércio de variedades do centro comercial Saara. As coisas começam a ficar difíceis para a lojinha com a chegada de uma família de chineses, que trazem produtos a preços muito menores, abrindo uma concorrência difícil de acompanhar. Indignada com a situação, a vendedora resolve investigar como tudo "made in china" consegue ser tão mais barato.

    O problema do longa começa aí, pois a proposta da sinopse e do roteiro se perdem em meio à confusões paralelas e o enredo se enrola em piadas repetitivas e escrachadas. Regina Casé coloca muito dela mesmo em sua personagem, uma mulher desbocada e independente, mas nada realista. Embora ela seja de fato uma pessoa engraçada e bem humorada, a constante "zoeira" com os chineses cansa e pode, até mesmo, causar sensação de preconceito.

    Francis é namorada de Carlos Eduardo, interpretado pelo cantor Xande de Pilares, reforçando a ideia de que o filme é de fato muito parecido com o programa dominical Esquenta, já que ambos trabalham juntos na atração. Na confusão da lojinha, tem ainda Juliana Alves como Andressa, vendedora boazuda que desperta a paixão de Perê (Luis Lobianco), o filho de Seu Nazir que não quer nada da vida. Ou seja, nada fora do padrão.

    Falta profundidade a todos os personagens, que representam ali uma versão quase caricata dos atores. Mesmo o talento de Juliana para televisão ou o humor de Lobianco no Porta dos Fundos não se traduz em algo inteligente , e sim em mais repetições das velhas figuras estereotipadas cujas piadas infames e trapalhadas são mais uma distração do que seria a história central do filme.

    Um mérito que precisa ser reconhecido é a produção e a cenografia, pois tirando duas cenas gravadas no Saara, o resto foi feito dentro de um estúdio muito bem planejado, com riqueza de detalhes nas lojas, ruas, figurino e toda a agitação geral do ambiente. Local esse que se assemelha muito com a situação da Rua 25 de Março, para os paulistanos, e que tem outra boa representação dentro do longa: as cenas onde os chineses conversam entre si na língua natal mantiveram as legendas em chinês e passam a sensação de irritação que todos que já tentaram comprar nessas lojinhas sentem.

    Levando em consideração também a questão do bom convívio entre árabes, como Seu Nazir, e judeus, representado pelo amigo Bernard (Gilberto Marmorosch), e que a chegada dos chineses realmente mexeu com esse universo na vida real da zona carioca, não há como negar que o filme perde tempo tentando ser engraçado ao invés de ir atrás dessas questões mais interessantes, e ao chegar ao final as coisas já estão tão bagunçadas que a história de "o Brasil é assim mesmo, bagunça, tudo junto e misturado" não compensa o fato de que muito ficou sem desfecho. Além de algumas conclusões só reforçarem rótulos ao invés de quebrar com eles, conforme a proposta original dava a entender.

    E assim, mesmo com uma boa mensagem e bom entrosamento entre o elenco chinês e o brasileiro, fica claro que Made in China fica aquém da sua proposta e só irá agradar aqueles que se identificam com o humor rotineiro das comédias brasileiras, sem nada mais inovador.

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