Pôster de Mademoiselle Paradis

MADEMOISELLE PARADIS

(Mademoiselle Paradis)

2017 , 97 MIN.

14 anos

Gênero: Drama

Estréia: 09/05/2019

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Barbara Albert

    Equipe técnica

    Roteiro: Alissa Walser, Barbara Alberti, Kathrin Resetarits

    Produção: Martina Haubrich, Michael Kitzberger, Nikolaus Geyrhalter

    Fotografia: Christine A. Maier

    Estúdio: Arte, LOOKSfilm, Nikolaus Geyrhalter Filmproduktion, Zweites Deutsches Fernsehen (ZDF)

    Montador: Niki Mossböck

    Distribuidora: A2 Filmes, Mares Filmes

    Elenco

    Attila Beke, Christoph Bittenauer, Christoph Luser, Devid Striesow, Johanna Orsini-Rosenberg, Julia Pointner, Katja Kolm, Lukas Miko, Maresi Riegner, Maria Dragus, Sascha Merényi, Stefanie Reinsperger, Susanne Wuest, Theresa Martini, Thomas Anton, Vivienne Causemann

  • Crítica

    03/05/2019 15h33

    Por Sara Cerqueira

    Baseado em fatos, o mais novo trabalho da diretora austríaca Barbara Albert (Em Segredo) não somente reconta a narrativa de uma figura histórica importante do século XVIII, mas abrange de forma comovente, ainda que com deslizes, as diferentes formas de interpretar o mundo de uma pessoa com deficiência.

    Maria Theresia Paradis, uma exímia pianista de 18 anos que perdeu a visão quando era criança, é enviada por seus pais ao centro médico de Franz Anton Mesmer, um físico famoso por usar o magnetismo para curar os mais diferentes e complexos males do corpo e da mente. Com o passar do tratamento, ela percebe que terá de escolher entre a própria capacidade de enxergar e a capacidade de tocar piano.

    Um filme protagonizado por uma pessoa deficiente que não se enquadre na categoria de feel good movie com uma mensagem de superação no final é raro de achar (não que tal categoria não tenha exemplos de ótimos filmes, como os dramas Uma Lição De Amor, de 2001, e Extraordinário, de 2017). Entretanto, aqui a austríaca constrói uma narrativa pouco romantizada, com foco na interpretação da talentosa atriz germano-romena Maria-Victoria Dragus, que nos mostra com autenticidade o processo de reaprender a enxergar e interpretar o mundo e todos os elementos à sua volta, processo subestimado e automatizado por todos nós.

    Além disso, o roteiro inclui questionamentos interessantes referentes à moralidade do discurso médico e dos limites das nossas capacidades e habilidades de fazer coisas que amamos e ser o que queremos ser. Sem forçar a barra, o filme consegue incorporar com naturalidade múltiplas questões complexas em uma época na qual a maior parte dos questionamentos não era bem-vinda.

    A interpretação de Maria-Victoria Dragus (A Fita Branca) leva o filme nas costas e consegue manter o público engajado, mesmo durante os vagarosos desenlaces da película. Seus trejeitos, sua dependência emocional e física dos pais e sua insegurança diante do desconhecido nos comovem e nos fazem crer em seu total estado de desalento e fragilidade durante o tratamento. Tal estado potencializa ainda mais seu arco dramático na segunda metade do longa, extremamente inspirador e simbólico.

    Todavia, mesmo contando com um protagonismo de primeira, investimento em locações e figurinos suntuosos (agradando aos expectadores mais detalhistas que apreciam longas de época) e abordagem de temas relevantes, o filme se arrasta com subtramas superficialmente desenvolvidas e oferece pouco ou quase nenhum espaço para outros personagens igualmente interessantes à protagonista mostrarem mais de si próprios. Logo, 1 hora e 30 minutos ficam tediosamente arrastados.

    Longe de ser um drama memorável de época, Mademoiselle Paradis é um relato não-romantizado, mas comovente sobre os revezes de quem vive à margem do padrão do mundo e precisa reaprender a viver para compreender o desconhecido. Belo, mas esquecível.

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