MAIS FORTE QUE O MUNDO

MAIS FORTE QUE O MUNDO - A HISTÓRIA DE JOSÉ ALDO

(Mais forte que o mundo - A história de José Aldo)

2015 , 104 MIN.

14 anos

Gênero: Biografia

Estréia: 16/06/2016

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Afonso Poyart

    Equipe técnica

    Roteiro: Afonso Poyart

    Produção: Afonso Poyart

    Fotografia: Carlos André Zalasik

    Trilha Sonora: Samuel Ferrari

    Estúdio: Globo Filmes

    Montador: Lucas Gonzaga

    Distribuidora: Downtown Filmes, Paris Filmes

    Elenco

    Claudia Ohana, Cléo Pires, Felipe Titto, Jackson Antunes, José Loreto, Malvino Salvador, Milhem Cortaz, Paloma Bernardi, Robson Nunes, Romulo Neto

  • Crítica

    13/06/2016 17h48

    Por Iara Vasconcelos

    O universo do esporte está intimamente ligado a superação de obstáculos, sejam eles os limites físicos do corpo humano, sejam as dificuldades sociais e financeiras para competir em alto nível. Não à toa, o cinema mundial tem grande prazer em retratar a trajetória de esportistas, sejam eles reais ou fictícios. Entretanto, há um interesse em especial sobre os lutadores e o icônico Rocky está ai para provar isso.

    Um dos fatores em comum nos filmes do gênero é descobrir como esses personagens conseguem canalizar a raiva, derivada de traumas ou de sua não adequação à sociedade, e aplicá-la dentro de um ambiente competitivo e regrado. A trama de Mais Forte Que O Mundo - A História De José Aldo bate bastante nessa tecla quando o treinador do brasileiro José Aldo, que é considerado uma das lendas do MMA mundial, tenta ensiná-lo a diferença entre brigar e lutar ainda no início de sua carreira.

    É interessante observar como para muitos essa linha é tênue quando se trata de UFC, que têm se popularizado muito nos últimos tempos, mas ainda sofre com críticas de "pancadaria sem propósito" quando comparado com outras modalidades
    de luta mais "quadradas".

    Apesar de ajudar a quebrar o estereótipo animalesco do MMA, o longa não é focado no esporte em si ou no crescimento profissional de Aldo - que saiu de um bairro pobre de Manaus e ganhou os ringues internacionais - mas sim na relação dele com sua família, em especial com seu conturbado e alcoólatra pai, que contou com uma intensa interpretação de Jackson Antunes.

    Ele age como um fantasma do passado, sempre presente no imaginário do lutador durante os combates. Entretanto, essas lembranças estão longe de serem positivas e afetam a vida pessoal e profissional de Aldo, mas de uma maneira estranha, é essa constante imagem do pai que o impulsiona na disputa contra os adversários. É como se ele fosse um anjo de guarda à avessas. Até sua condição de vilão é dúbia, já que ele é parte significante do sucesso do filho, mesmo que de uma maneira torta.

    A primeira parte do filme é reservada para a contextualização do protagonista, mostrando a forma como ele foi criado, como ingressou no mundo do esporte, seu círculo de amizades, suas paixões, seus medos. Sem isso, seria impossível entender como Aldo se tornou esse monstro dos ringues. Mesmo sem muita experiência nas telonas, José Loreto consegue conduzir com muita confiança a sua atuação, além de mostrar uma disposição física invejável. Aliás, é notável a preocupação do diretor Afonso Poyart (2 Coelhos) em retratar com realismo os confrontos, sem aquele tom coreografado.

    Aliás, o estilo de Poyart é bem perceptível na produção. Dois Coelhos tem um dos trabalhos de efeitos visuais mais criativos e bem feitos do cinema nacional. Aqui não é diferente, o uso de câmera lenta durante as lutas, que dão ainda ênfase nos golpes e aumentam o tom dramatico da situação - como quando o personagem luta com seu rival na chuva. O cineasta sabe usar os efeitos com parcimônia, intercalando com planos mais agéis e sequênciais, evitando que o espectador fique cansado.

    O trabalho de fotografia também merece menção. As cenas gravadas na periferia de Manaus têm um tom mais escuro/amarelado. Após sua mudança para o Rio, onde dá seus primeiros passos como esportista profissional e conhece a sua esposa Vivi (Cleo Pires), as cores se tornam mais claras e positivas.

    Mais Forte que o Mundo peca ao mesclar gêneros diferentes - drama, romance e ação - deixando a trama mais difícil de ser assimilada, com tantas coisas acontecendo ao mesmo tempo. Isso também faz com que a história ganhe um ar de telenovela que não deve agradar a todos. Mesmo assim, é inegável que o filme eleva a produção nacional a outro patamar, tanto pelo cuidado estético, quanto pela narrativa consistente.

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