MALDITO CORAÇÃO

MALDITO CORAÇÃO

(The Heart is Deceitful Above All Things)

2004 , 98 MIN.

Gênero: Drama

Estréia:

página inicial do filme
  • Ficha técnica

    Direção

    • Asia Argento

    Equipe técnica

    Roteiro: Alessandro Magania, Asia Argento

    Produção: Alain de la Mata, Chris Hanley, David Hillary, Larry Davis

    Fotografia: Eric Alan Edwards

    Trilha Sonora: Billy Corgan, Marco Castoldi, Sonic Youth

    Estúdio: Wild Bunch

    Elenco

    Asia Argento, Ben Foster, Cole Sprouse, Dylan Sprouse, Jeremy Renner, Jeremy Sisto, Jimmy Bennett, Kip Pardue, Marilyn Manson, Michael Pitt, Ornella Muti, Peter Fonda, Tim Armstrong, Winona Ryder

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    Maldito Coração é um filme cool. Dirigido e protagonizado pela atriz Asia Argento (Terra dos Mortos) - que, por sinal, é filha do mestre do terror italiano Dario Argento -, é uma adaptação da coleção de contos The Heart is Deceitful Above All Things - inédito no Brasil -, de um dos escritores mais festejados dos últimos anos, J.T. Leroy. O escritor esteve no Brasil ano passado. Quem o viu sabe que se trata de uma figura andrógena, provavelmente reflexo do que diz ter passado em seus livros, de inspiração autobiográfica. Onde termina a realidade e começa a ficção ninguém sabe. O fato é que, de acordo com uma reportagem publicada recentemente no jornal norte-americano The New York Times, J.T. Leroy é uma farsa. A pessoa que se apresenta como o escritor é uma modelo. Os verdadeiros escritores de seus livros seriam uma dupla de jornalistas americanos. A possível farsa somente serve para aumentar ainda mais a aura em torno de Leroy, que tem diversos amigos no showbusiness. Maldito Coração é um reflexo disso: mais do que a adaptação de seus contos, o filme também é uma celebração de seu hype, vide as participações de luxo ao longo da película.

    Por isso, Maldito Coração é um filme cool. O tema, no entanto, não é nada descolado. O filme narra o drama de Jeremiah (Jimmy Bennett, Dylan Sprouse e Cole Sprouse, em idades diferentes), cujo crescimento sempre foi atrapalhado, digamos, pela presença de sua mãe totalmente desequilibrada. Sarah (Asia Argento) teve seu primeiro e único filho na adolescência. Filha de pais extremamente religiosos (Peter Fonda e Ornella Muti), Sarah cresceu sendo reprimida violentamente. Passou por clínicas psiquiátricas até que fugiu de casa, após dar o primeiro filho à adoção. Quando Jeremiah completa sete anos, ela resolve tirar sua guarda dos pais adotivos por puro capricho. Assim começa a decadência de nosso pequeno protagonista.

    Numa trama que envolve pedofilia, drogas, uma mãe completamente desequilibrada e fanatismo religioso, Maldito Coração é um filme, basicamente, sobre a criação de mentes desequilibradas durante a infância. Enquanto Sarah é fruto de uma criação extremamente calcada na religiosidade violentíssima - seus pais são parecidos com a mãe da protagonista de Carrie, A Estranha, para se ter uma idéia -, ela mesma tenta criar seu filho de uma forma completamente diferente. No entanto, acaba inserindo-o em um ambiente repleto de drogas, prostituição e sexualidade extrema.

    Entre situações bizarras e chocantes, acontece um verdadeiro desfile de participações especiais luxuosas. O que acaba desviando o olhar do espectador. Além dos já citados Peter Fonda e Ornela Muti, também estão no elenco John Robinson (Elefante), Ben Foster (do seriado A Sete Palmos), o roqueiro Marilyn Manson (irreconhecível sem a maquiagem), Kip Pardue (Heróis Imaginários), Michael Pitt (Os Sonhadores), Winona Ryder e Jeremy Sisto (também do seriado A Sete Palmos).

    Maldito Coração é um drama assustador ao tratar esses temas de forma tão explícita. Não há, aqui, a sutileza da abordagem de O Lenhador em relação à pedofilia, por exemplo. A trilha sonora é dos nova-iorquinos do Sonic Youth, banda celebrada no cenário independente. Seu som, totalmente experimental, muitas vezes perturbador graças às guitarras distorcidas, casa muito bem com a produção. Nada mais perfeito. Afinal, Maldito Coração é um filme totalmente cru, incômodo, conseguindo chocar o espectador da mesma forma que a literatura de J.T. Leroy conseguiu. Mas, assim como os livros dessa possível fraude, não é uma produção indispensável. Mas, no mínimo, interessante.

Deixe seu comentário
comments powered by Disqus