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MANCHESTER À BEIRA-MAR

(Manchester By The Sea, 2016)

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12/01/2017 15h43
por Iara Vasconcelos

O luto se manifesta de maneiras diferentes em cada indivíduo, enquanto algumas pessoas expressam sua dor chorando, outras preferem se fechar para o mundo. O diretor Ken Lonergan parece ter um interesse especial nessa dinâmica do sofrimento.

Dois de seus trabalhos anteriores, Conte Comigo e Margaret, giram em torno desse tema. Agora, ele retorna com o tocante Manchester À Beira-mar, que mostra que o luto, por mais contido que seja, pode nunca ser superado.

Lee Chandler (Casey Affleck) trabalha como "faz tudo" em um condomínio residencial e é conhecido pelo seu comportamento introspectivo e pelas respostas ríspidas. A sua rotina robótica é interrompida depois que ele recebe um telefonema: Seu irmão mais velho sofreu um ataque cardíaco e está no hospital.

A fatalidade obrigada Lee a retornar para a sua cidade natal, da qual ele foge insistentemente depois de uma tragédia pessoal que marcou a sua vida. Com a morte de seu irmão, ele fica encarregado dos detalhes do funeral e dos cuidados com o sobrinho adolescente Patrick (Lucas Hedges), mas para isso ele terá que enfrentar os demônios de seu passado.

O longa é embalado por um humor negro sutil. Lonergan quer mostrar que não existe um jeito ideal de lidar com a perda de um ente querido. Em uma das cenas, Lee e o sobrinho discutem a possibilidade de ter que abrigar o corpo do falecido em uma geladeira até o fim do inverno – já que o solo duro por conta do gelo faz com que cavar uma cova seja missão quase impossível. O diálogo chega a lembrar uma cena de sitcom. Mas logo em seguida, Patrick tem uma crise de pânico ao abrir o congelador de casa e lembrar da situação do corpo do pai, nos relembrando que aquilo não é uma comédia.

O diretor usa flashbacks como recurso para revelar ao espectador a verdadeira razão pela qual Lee odeia tanto a sua antiga cidade. Quando o mistério acaba, o que resta é um sentimento agridoce. Lee cometeu um erro no passado, uma irresponsabilidade que lhe custou caro, mas ver a forma como isso afetou a sua vida, fazendo ele se fechar completamente para o mundo, é algo que não desejaríamos para o pior inimigo.

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Casey Affleck convence na pele desse sujeito "esquisitão", de olhar morto, mas seu personagem não lhe permite avançar em termos de atuação. Mas sejamos justos, a ideia de Lee é justamente que suas emoções sejam contidas ao extremo.

Michelle Williams tem espaço de sobra para revelar o seu potencial dramático. No papel de Randi, a ex-esposa de Lee, ela consegue demonstrar todo o peso que a situação requer.

Lucas Hedges também se destaca no papel de Patrick. Além de lidar com o turbilhão de hormônios e problemas típicos da adolescência, ele precisa enfrentar a morte do pai, seu principal referencial desde que sua mãe, dependente em drogas, o abandonou.

Lonergan escolheu, acertadamente, o inverno como cenário. A paisagem cinza e melancólica é um elemento que adiciona ainda mais poder à narrativa.

Apesar do desfecho positivo, Manchester À Beira-mar não é um filme sobre superação. Apesar de Chandler ter encontrado paz de espírito, sabemos que ele não foi capaz de esquecer tudo o que aconteceu, mas encontrou saídas para seguir em frente. Às vezes, isso é tudo que a vida nos permite fazer.

 

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