MANDA-CHUVA - O FILME 3D

MANDA-CHUVA - O FILME 3D

(Don Gato Y Su Pandilla)

2011 , 87 MIN.

Gênero: Animação

Estréia: 16/09/2011

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Alberto Mar

    Equipe técnica

    Roteiro: Kevin Seccia, Tim McKeon

    Estúdio: Illusion Studios

    Distribuidora: PlayArte

  • Crítica

    14/09/2011 17h11

    Num mundo ultratecnológico, como encaixar um desenho animado de um gato malandro que sobrevive às custas de traquinagens? Manda-Chuva – O Filme 3D é produto desse mundo que ele escolhe como vilão: a tecnologia, instrumento que permitiu esta nova versão do clássico personagem de Hanna e Barbera, é também a inimiga a ser combatida.

    Traduzo: Lucas Boa Pinta, o malvado que de bonito não tem nada, arma um grande plano para infestar Nova York de ciber-policiais, cercando todas as ruas, esquinas e becos de câmeras. Quem terá a missão de salvar a cidade de um vilão realmente maquiavélico? Manda-Chuva e o policial que sempre fez vista grossa às suas peripécias, o Guarda Belo.

    Por isso a interessante contradição inerente a Manda-Chuva – O Filme 3D: a tecnologia, que lhe trouxe à vida e tem na terceira dimensão a desculpa para fazer as crianças obrigarem os pais a levá-las aos cinemas, é também a vilã da trama da animação.

    Uma questionamento moral comum a muitas outras animações recentes: desenvolvimento X valores humanos. Toy Story 3 colocou o tema por meio dos brinquedos “velhos” no sótão; O Mágico, com as características dos anos 1950, entre a invenção de um ilusionista e os novos tempos; Manda-Chuva – O Filme 3D dá um corte mais maniqueísta e moralista, mas que não deixa de ser verdadeiro: a tecnologia está criando monstros esquisitos na mediação das relações humanas.

    Em vez de Guarda Belo gastar suas energias para expulsar os gatos de rua de um beco, como fazia no desenho de Hanna e Barbera nos anos 90, o guardião da ordem percebe que existe um outro inimigo a temer. Inimigo de fato, não um gato com espírito de Robin Hood como o Manda-Chuva.

    Inocência

    O bom dessa animação é que os principais traços dos personagens estão mantidos. Manda-Chuva, líder do bando de gatos molambentos, escorrega como manteiga das mãos do Guarda Belo, que não deixa de ser um inocente fiel à força policial.

    Até mesmo a sequência de abertura do desenho na televisão foi incorporada pelo roteiro do filme, com o gato atrevido andando “dentro” de uma limusine, acompanhado ao som da canção Top Cat. Manda-Chuva continua dando de gorjeta uma nota ou uma moeda amarrada à sua roupa, que obviamente não ficará na mão do garçom.

    Não existe um texto tão genuíno quanto o da série: “Pela lei dos felizardos, nós estamos ricos”. Mas existe ali uma habilidade mínima em manter-se fiel a uma essência. Por exemplo, uma sequência que faz citação ao primeiro episódio da série, quando Batatinha executa uma suposta dança havaiana.

    Citações também não faltam a esta coprodução Argentina/México do personagem norte-americano: num passe de mágica, o roteiro coloca na mesma sequência uma referência a King Kong e Robocop. Ainda sobram comentários sobre os gangsteres à Al Capone, Focault, Rodin e Platão. Ufa!

    Claro que para uma criança que ainda está aprendendo que a rebeldia comportada de Manda-Chuva é amadorística, essas nuances passarão despercebidas. A nós, adultos, talvez não.

    Não tem a divertida dublagem de Lima Duarte, mas a turma toda está lá: Bacana, Chu-Chu, Gênio, Espeto e Batatinha, além do felino mais atrevido. Mas Manda-Chuva – O Filme 3D está aí.


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