MANDERLAY

MANDERLAY

(Manderlay)

2005 , 139 MIN.

14 anos

Gênero: Drama

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Lars von Trier

    Equipe técnica

    Roteiro: Lars von Trier

    Produção: Vibeke Windeløv

    Fotografia: Anthony Dod Mantle

    Trilha Sonora: Joachim Holbek

    Estúdio: Alan Young Pictures, Arte, arte France Cinéma, Canal Television AB, Canal+, Danmarks Radio (DR), Degeto Film, Edith Film Oy, Film i Väst, Invicta Capital, Isabella Films B.V, Manderlay, Memfis Film, Nederlandse Programma Stichting (NPS), Ognon Pictures, Pain Unlimited GmbH Filmproduktion, Sigma Films, Sveriges Television (SVT), Westdeutscher Rundfunk (WDR), YLE Co-Productions, Zentropa Entertainments

    Distribuidora: Califórnia Filmes

    Elenco

    Aki Hirvonen, Alemayehu Wakijra, Andrew Hardiman, Bryce Dallas Howard, Charles Maquignon, Chloë Sevigny, Clive Rowe, Danny Glover, Derrick Odhiambo-Widell, Doña Croll, Emmanuel Idowu, Eric Voge, Erich Silva, Fredric Gildea, Geoffrey Bateman, Ginny Holder, Hans Karlsson, Ian Matthews, Isaach De Bankolé, Javone Prince, Jean-Marc Barr, Jeremy Davies, John Hurt, Joseph Mydell, Lauren Bacall, Llewella Gideon, Maudo Sey, Michaël Abiteboul, Mikael Johansson, Mona Hammond, Nick Wolf, Nina Sosanya, Rik Launspach, Ross Taylor, Ruben Brinkman, Seth Mpundu, Suzette Llewellyn, Teddy Kempner, Udo Kier, Virgile Bramly, Wendy Juel, Willem Dafoe, Zeljko Ivanek

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    Dogville (2003) iniciou uma trilogia idealizada por Lars Von Trier. O tema é a sociedade norte-americana. Narrado em primeira pessoa, como se fosse uma fábula, o filme causou impacto não somente narrativo, mas, principalmente, visual. Afinal, o roteiro é encenado sobre um palco, como se fosse teatro, mas filmado com a câmera digital na mão estilo Dogma de Von Trier. Manderlay é a segunda parte da trilogia e continua com a mesma fórmula básica: história de repressão filmada em um palco.

    A protagonista é a mesma Grace de Dogville, mas Nicole Kidman foi substituída por Bryce Dallas Howard, de A Vila. Nos EUA dos anos 30, ela é filha de um gângster (Willem Dafoe) e, juntos, encontram a fazenda que dá nome ao filme. Lá a escravidão ainda existe, apesar de ter sido abolida há décadas. Revoltada, a idealista Grace reprime a dona da fazenda (Lauren Bacall) e liberta os escravos. Com a morte da matriarca, a jovem assume o controle da fazenda de forma a conduzir os trabalhadores, agora livres, em suas tarefas justamente divididas.

    Inocente e idealista ao extremo, Grace acredita que a abolição da escravatura nas leis é o suficiente para que os negros reintegrem-se à sociedade. Manderlay funciona como uma crítica - muito bem construída no texto Von Trier - não somente ao racismo, mas, principalmente, aos que teimam em afirmar que ele não existe. Afinal, o discurso da própria protagonista é preconceituoso na maioria das vezes, mas daquela forma politicamente correta. Idealista ao extremo, tem contraponto na visão do personagem Wilhelm (Danny Glover), o mais velho e sábio do grupo dos escravos. Enquanto Grace acredita que simplesmente dizer àquelas pessoas que estão livres - sendo que eles não sabem, afinal, o que é ou o que fazer com isso que ela chama de liberdade -, Wilhelm sabe que qualquer grupo precisa de algum código de ética, ou mesmo uma figura de liderança. Grace entra na comunidade como um corpo estranho, desencadeando uma série de situações que, ao invés de fazer o bem - como ela gostaria -, só tiram a harmonia dentro daquele nicho formado pela comunidade da fazenda.

    A pequena Manderlay é um microcosmo da sociedade. Apesar de se passar nos anos 30 - o que sabemos, basicamente, por causa do carro e das roupas -, Manderlay discute a forma como a sociedade está organizada desde os tempos de colonialismo. Apesar de ser parte de uma trilogia criada pelo diretor dinamarquês para discutir assuntos norte-americanos, o filme discute um tema pertinente em qualquer outro lugar colonizado. O discurso de Grace, sobre como os brancos norte-americanos são responsáveis pelo tratamento em relação a negros, é inocente. Sua tentativa de dar a liberdade aos escravos é mais ainda.

    Manderlay trata o racismo de forma honesta, quase cínica. A sinceridade no discurso, além da forma única como Von Trier observa o tema, faz com que este filme supere o anterior da trilogia. Para quem é fã de Dogville, este filme é imperdível, mas a insistência no formato não deve fazer com que novos espectadores sejam conquistados - pelo menos não os que desaprovam o primeiro longa.

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