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MANIFESTO

(Manifesto)

2016 , 95 MIN.

12 anos

Gênero: Drama

Estréia: 26/10/2017

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Julian Rosefeldt

    Equipe técnica

    Roteiro: Julian Rosefeldt

    Produção: Julian Rosefeldt, Marcos Kantis, Martin Lehwald, Wassili Zygouris

    Fotografia: Christoph Krauss

    Estúdio: Bayerischer Rundfunk

    Montador: Bobby Good

    Distribuidora: Mares Filmes

    Elenco

    Andrew Upton, Carl Dietrich, Cate Blanchett, Ea-Ja Kim, Erika Bauer, Hannelore Ohlendorf, Jimmy Trash, Marie Borkowski Foedrowitz, Marina Michael, Ottokar Sachse, Ralf Tempel, Ruby Bustamante

  • Crítica

    25/10/2017 17h02

    Por Thamires Viana

    Manifesto, novo longa do diretor alemão Julian Rosefeldt, chega aos cinemas trazendo grandes reflexões sobre as múltiplas facetas da arte contemporânea, bem como seus impactos ao decorrer do século passado. Interpretando 13 personagens distintos, Cate Blanchett consegue encantar o espectador logo nos primeiros minutos.

    Não é de hoje que os debates sobre o papel da arte na sociedade são apresentados em forma de reportagens em meios de comunicação, de um bate-papo descontraído com amigos a discussões fervorosas em plataformas digitais. Manifestada de diversas maneiras, a arte traz em seu leque inúmeros formatos que vão desde a leitura e a música, até a pintura e o cinema e que dependendo da visão de quem a contempla, seu cunho artístico segue caminhos opostos àqueles definidos a princípio pelo artista.

    A atriz, vencedora do Oscar pelos filmes O Aviador (2004) (Melhor Atriz Coadjuvante) e Blue Jasmine (Melhor Atriz), consegue engajar espectador com cada um de seus diálogos, muitos deles entregues com a atriz encarando as câmeras. Sua atuação como uma jovem punk, onde os olhos praticamente chamam quem assiste para uma conversa, ou a mãe de família que arruma a mesa para o jantar, mostram a pluralidade de uma atriz que, em cortes rápidos de cenas, consegue trazer autenticidade e irreverência a praticamente qualquer papel.

    É fascinante a forma como Blanchett alterna entre mudanças físicas e de personalidade. É quase provável que por alguns segundos o espectador esqueça que ela é a única dentro do longa com 13 facetas diferentemente apresentadas. A interpretação para o manifesto Dogma 95, encabeçado pelo diretor Lars Von Trier na década de 90, até a do escultor Claes Oldenburg, um dos principais nomes do Pop Art, nos reafirma que Blanchett merece, mais uma vez, receber uma estatueta para exibir em sua estante.

    Cerca de 97% dos diferentes manifestos recitados ao longo dos 95 minutos de filme são executados de maneira impecável. São provocações, críticas, homenagens, releituras e a maioria dessas vertentes são precisas e bem elaboradas. A montagem insere de forma tímida, mas eficiente, a ligação entre as épocas retratadas. Mesmo que o roteiro não esteja focado em contar uma história e as cenas não se mesclem de forma explícita, elas se integram ponto a ponto ao decorrer da trama, fazendo com que o espectador não se perca ou se frustre com o resultado.

    O ponto negativo do filme fica por conta de uma ou duas cenas com um longo período de tempo em que alguns textos são apresentados. A atriz fala com uma rapidez inimaginável e, para alguns, as tomadas podem ser um pouco confusas ou entediantes.

    Manifesto é um magnífico mosaico artístico sobre profundos textos que merecem ser conhecidos. A direção acerta cada segmento do longa como enquadramento, corte de cenas e contatos visuais de Blanchett com a câmera. A parte visual é repleta de cores, todas em sua tonalidade mais intensa - desde o roxo do blazer usado pela âncora de TV, até o cinza do céu nublado que registra uma das primeiras cenas.

    Com narrativa despretensiosa, o longa é uma obra de arte que merece ser apreciada com mente e olhos abertos. Não é obrigatório gravar todos os nomes apresentados, nem tentar reconhecer todos os manifestos citados no longa. Tudo o que esse longa quer é que o espectador saia do cinema refletindo sobre como preservar os impactos artísticos do século XX e como cultivar e se adaptar a todos os formatos da arte contemporânea.

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