Pôster do filme Máquinas Mortais

MÁQUINAS MORTAIS

(Mortal Engines)

2018 , 128 MIN.

14 anos

Gênero: Ação

Estréia: 10/01/2019

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  • Onde assistir

    Programação

  • Ficha técnica

    Direção

    • Christian Rivers

    Equipe técnica

    Roteiro: Fran Walsh, Peter Jackson, Philip Reeve, Philippa Boyens

    Produção: Amanda Walker, Deborah Forte, Fran Walsh, Peter Jackson, Philippa Boyens, Zane Weiner

    Fotografia: Simon Raby

    Trilha Sonora: Junkie XL

    Estúdio: Media Rights Capital (MRC), Scholastic Productions, Silvertongue Films, Universal Pictures

    Montador: Jonathan Woodford-Robinson

    Distribuidora: Universal Pictures

    Elenco

    Andrew Lees, Calum Gittins, Caren Pistorius, Colin Salmon, Frankie Adams, Hera Hilmar, Hugo Weaving, Jihae, Joel Tobeck, Leila George, Mark Mitchinson, Nathaniel Lees, Patrick Malahide, Regé-Jean Page, Robert Sheehan, Ronan Raftery, Stephen Lang, Stephen Ure, Terry Norris, Yoson An

  • Crítica

    09/01/2019 18h35

    Por Daniel Reininger

    Máquinas Mortais é um filme steampunk futurista que todo fã desse subgênero queria ver no cinema. Com uma pegada de Mad Max: Estrada Da Fúria exagerado, belo universo, falha pela história absurdamente batida e cheia de clichês e personagens irrelevantes.

    O filme começa ainda durante a exibição do logo da Universal na tela, com bombas roxas destruindo o mundo na guerra dos 60 minutos, explicada nesse momento. Com base nos romances de Philip Reeve, o filme começa com duas cidades numa perseguição insana, repleta de fumaça e sujeira enquanto as monstruosidades atropelam tudo num desolado cenário europeu. Sim, o início é o melhor momento do filme, de longe, exatamente por lembrar Mad Max numa versão absurdamente megalomaníaca.

    Ainda durante a intensa perseguição de abertura, conhecemos Tom Natsworthy (Robert Sheehan), um historiador que ama o que faz, mas é ingênuo. Em seguida aparece Hester Shaw (Hera Hilmar), que encontra seu caminho até Londres para vingar a morte de sua mãe e matar o vilão Valentine (Hugo Weaving). Triste que não só falta química a esse casal principal, como roteiro e atuação falham na tentativa de proporcionar qualquer peso emocional ao filme ou aos protagonistas.

    Hester é uma jovem severa que teve uma dura vida baseada apenas na sobrevivência, mesmo com esse passado, o filme cria uma relação de herói e donzela em perigo dela com Tom que não só não faz sentido, como é chato de ver. E píor, ainda força uma relação amorosa desnecessária, que surge do nada.

    O filme falha também na falta de peso político relevante pela maior parte do tempo, ou críticas óbvias e sem relevância usadas ao acaso, como o Brexit. A trama fica ainda mais irrelevante quando percebemos que tudo não passa de cópia de outras histórias famosas e clichês explorados ao limite.

    Sem falar na referência de Peter Jackson a seu clássico, O Senhor Dos Anéis: Ao vermos a terra de Shan Guo, localizado nas montanhas do Himalaia, o filme faz questão de mostrar como o governador Khan (Kee Chan) não gostaria de entrar em guerra com Londres, afinal, eles valorizam a vida acima de qualquer outra coisa. O ocidental violento e o pacífico Oriente é uma inversão do que ouvimos muito na adaptação de Tolkien, que focava constante nos bons "homens do Ocidente" contra as forças malignas do Oriente.

    Só que como steampunk, o filme manda bem visualmente. As máquinas são incríveis, os veículos aéreos criativos e existe até mesmo uma cidade flutuante animal, pena só que não é aproveitada como poderia e aparece muito pouco. Toda a parte técnica é deslumbrante, dos cenários aos belos figurinos. 

    Há diversidade suficiente para fazer o mundo do filme parecer gigantesco. Um dos visuais mais interessantes é o de Shrike, um androide feito de restos humanos que está à caça de Hester. Apesar de quase não ter diálogos, ele impressiona quando aparece e sua história é de longe a mais profunda, ao ponto de ser ele que injeta um pouco de humanidade ao filme totalmente hermético e robótico. Ironia é pouco.

    Outro ponto positivo é a ação desenfreada. As perseguições são incríveis, as batalhas bem feitas, com referências de Star Wars, Segunda Guerra Mundial, Senhor dos Anéis, Hobbit e, claro Mad Max. Curioso é que como os personagens são desinteressantes, quando a pancadaria começa e as coisas explodem você sente pena das coisas legais serem destruídas e não pelas pessoas se machucarem. Fico imaginando como esse filme poderia ser bom se fugisse dos clichês e fizesse a parte de roteiro direito.

    Não li o livro, mas o universo apresentado no filme me deixou extremante curioso para saber mais. Entretanto, como filme, a obra deixa muito a desejar e a culpa pode ser distribuída sem dó ao elenco, direção e roteiro. Enquanto a parte técnica foi muito bem trabalhada, a parte "humana" deixou a desejar. Um desperdício gigantesco de potencial.

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