MARCADOS PARA MORRER

MARCADOS PARA MORRER

(End of Watch)

2012 , 110 MIN.

16 anos

Gênero: Drama

Estréia: 09/11/2012

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  • Ficha técnica

    Direção

    • David Ayer

    Equipe técnica

    Roteiro: David Ayer

    Produção: David Ayer, George Furla, John Lesher, Matt Jackson, Mike Gunther, Randall Emmett

    Fotografia: Roman Vasyanov

    Trilha Sonora: David Sardy

    Estúdio: Crave Films, Emmett/ Furla Films, Envision Entertainment Corporation, Exclusive Media Group, Le Grisbi Productions

    Distribuidora: Califórnia Filmes

    Elenco

    America Ferrera, Anna Kendrick, Ashley Fraijo, Candace Smith, Chivonne Hill, Cle Shaheed Sloan, Clyde Broom Jr., Cody Horn, Corina Calderon, Curtis Jermaine, Cynthia Harmon, Danielle Hartnett, David Castaneda, David Fernandez Jr., David Harbour, Diana Laura, Everton Lawrence, Frank Grillo, Gene Hong, Hugh Daly, Jaime FitzSimons, Jake Gyllenhaal, Jeannie Aguilar, Judy Echavez, Kevin Dunigan, Kristy Wu, Manny Jimenez Jr., Maurice Compte, Mauricio Solis, McKinley Freeman, Michael Monks, Michael Peña, Natalie Martinez, Nelly Castillo, Nikki Nicholle Barreras, Patrizia Barretto, Ramon Camacho, Richard Cabral, Ron Roggé, Ruben Roberto Gomez, Serene Branson, Shondrella Avery, Sli Lewis, Tatiana Sarasty, Ted Hollis, Tony Sagastizado I, Yahira Garcia, Zone

  • Crítica

    06/11/2012 15h52

    Por Daniel Reininger

    O novo filme de David Ayer (Dia de Treinamento) deixa de lado a corrupção, tema recorrente nos thrillers policiais dos últimos anos, para mostrar o dia a dia de patrulheiros da região de South Central em Los Angeles. Sem medo de chocar com cenas violentas, Marcados para Morrer trata mesmo é da amizade de Brian Taylor e Mike Zavala (Jake Gyllenhaal e Michael Peña, respectivamente) e como os dois encaram a dura realidade das ruas.

    É interessante perceber que o longa não possui uma trama clara até o terceiro ato, quando um cartel começa a se incomodar com os protagonistas. Até lá, Ayer constrói os personagens de forma surpreendente humana e realista, com sentimentos, medos e mudanças de humor. São atuações memoráveis de Gyllenhaal e do sempre talentoso e pouco aproveitado Peña, eterno intérprete do estereotipado ajudante latino. Os dois conversam sobre tudo em sua viatura, como verdadeiros amigos, e boa parte é improvisação pura.

    Logo de início, o espectador é colocado no clima com uma perseguição policial enquanto Gyllenhaal narra o trabalho da polícia e suas obrigações. Após um tiroteio e morte de dois suspeitos, a história pula para o retorno de Taylor e Zavala às ruas, após a dupla ser liberada pela promotoria.

    A produção é toda construída como um mosaico de incidentes. A cada chamado, uma surpresa muitas vezes desagradável para a dupla, como bêbados causando problema, um incêndio e crianças desaparecidas. Tudo filmado com câmeras posicionadas em viaturas ou nas mãos dos protagonistas, parte de um projeto cinematográfico de Taylor.

    Essa escolha de apresentação foi equivocada, pois é desnecessária e gera apenas distração, tanto que o próprio diretor desencana do recurso e muda para uma perspectiva em terceira pessoa conforme se torna conveniente. A coisa perde o sentido mesmo quando a narrativa mostra o ponto de vista dos bandidos, que gravam todos os seus movimentos e descrevem, com muitos palavrões, o que estão prestes a fazer.

    A falta de cuidado está também na apresentação dos estereótipos raciais. Os negros são mostrados como briguentos, revoltados e o roteiro força demais algumas situações com eles, como quando um casal de drogados acaba amarrando os próprios filhos para se dopar. Os latinos, nova gangue dominante do bairro, são violentos ao extremo (mesmo com os seus) e não se importam com nada além de seus próprios interesses. Já os policiais, em sua maioria brancos (além de alguns latinos e uma oriental), são os paladinos da lei entorpecidos pela guerra nas ruas.

    Apesar disso, se você sair do cinema antes dos 20 minutos finais ficará bem satisfeito com a obra. Agora, quem ficar até os créditos vai se deparar com a pergunta: “o que diabos aconteceu?”. Pois é, toda humanidade e intensidade construída com cuidado até ali é abandonada de forma brusca para dar lugar a um bang-bang desenfreado e cheio de clichês. A última cena, único momento não linear do filme, parece um mea-culpa do diretor.

    Mesmo com as patinadas, Marcados Para Morrer é um bom thriller policial. Capaz de gravar cenas marcantes da relação de dois grandes amigos na memória do espectador mesmo após sua saída da sala de exibição.

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