MARCAS DA VIOLÊNCIA

MARCAS DA VIOLÊNCIA

(A History Of Violence)

2005 , 96 MIN.

18 anos

Gênero: Drama

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • David Cronenberg

    Equipe técnica

    Roteiro: Josh Olson

    Produção: Chris Bender, David Cronenberg, J. C. Spink

    Fotografia: Peter Suschitzky

    Trilha Sonora: Howard Shore

    Estúdio: Bender-Spink Inc

    Elenco

    Ashton Holmes, Ed Harris, Greg Bryk, Heidi Hayes, Maria Bello, Peter MacNeill, Stephen McHattie, Viggo Mortensen, William Hurt

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    O começo da carreira do diretor canadense David Cronenberg foi marcado por filmes de terror. A Mosca tornou-se um clássico don gênero. Nos últimos anos o cineasta vem direcionando os temas de seus filmes não ao tormento da carne, mas, principalmente, o da mente. Spider, seu filme anterior, é a prova concreta disso. Seu novo longa-metragem, Marcas da Violência (2005), faz uma mistura de ambos. Mais do que se tratar da violência - como evidencia o título -, o filme aborda a forma como o passado dos personagens pode deixar marcas profundas e eternas.

    Viggo Mortensen é Tom Stall, um homem de família que tem um pequeno e aconchegante restaurante em alguma pequena cidade do Estado da Indiana, nos EUA. Casado com Eddie (Maria Bello), pai de dois filhos - o adolescente Jack (Ashton Holmes) e a pequena Darah (Heidi Hayes) -, sua rotina é totalmente revirada quando dois bandidos entram em seu estabelecimento numa tentativa de assalto. Como se fosse um verdadeiro profissional, o protagonista desarma os dois criminosos e os mata. O novo herói vira celebridade local e atrai atenção não somente da comunidade, mas do gângster Carl Fogarty (Ed Harris). Ele chega na cidade, acompanhado de dois capatazes e uma considerável cicatriz no olho esquerdo, afirmando que Tom é outra pessoa. O pai de família, por sua vez, nega de pé junto, mas as investidas do gângster são incisivas demais para que a confusão passe ignorada.

    Após o episódio no restaurante, toda a dinâmica na família Stall muda. Mais do que as lutas e as carnes estraçalhadas, é isso que interessa à câmera Cronemberg. A presença de um herói na casa dos Stall, no começo vista com bons olhos, passa a ser recebida como um câncer no núcleo familiar. O homem que sustentava a família passa a espalhar essa violência que lhe tomou conta no momento em que bandidos ameaçaram sua existência pacífica. Aos poucos, vamos descobrindo que essa violência estourou não somente em Tom, mas no resto de sua família. Também não foi à toa, ou surgiu do nada.

    Baseado na graphic novel A History Of Violence de John Wagner e Vince Locke (cuja publicação é inédita no Brasil), Marcas da Violência tem um roteiro que prende a atenção do espectador. As cenas de lutas envolvendo o protagonista são tão coreografadas que soam falsas. No entanto, se pensarmos que o personagem tem duas personalidades - e duas histórias de vida - completamente antagônicas, elas acabam formando um contraponto coerente. Além do passado do protagonista, também está em voga no filme o instinto de preservação. Teoria darwiniana mesmo. Assim, a história não importa muito em Marcas da Violência. O que fez Tom Stall, afinal? Tanto faz, pois o que ele busca descobrir é o que é: um matador ou um pai de família? Observar a força dessa busca pela identidade é o que mais abala no filme de Cronenberg. E pode ter certeza que esse é o tipo de filme que deixa marcas no espectador.

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