MARCELO YUKA NO CAMINHO DAS SETAS

MARCELO YUKA NO CAMINHO DAS SETAS

(Marcelo Yuka no Caminho das Setas)

2011 , 95 MIN.

Gênero: Documentário

Estréia: 30/11/2012

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Daniela Broitman

    Equipe técnica

    Roteiro: Daniela Broitman

    Produção: Daniela Broitman

    Fotografia: Reynaldo Zangrandi

    Trilha Sonora: Berna Ceppas

    Estúdio: VideoForum Filmes

    Distribuidora: Tucumán

  • Crítica

    25/11/2012 17h08

    Filme autêntico e abundante de honestidade esse documentário sobre o ex-baterista e letrista do Rappa, Marcelo Yuka, vítima de nove tiros em 2000 após ficar em meio ao fogo cruzado de bandidos no bairro da Tijuca, no Rio.

    A tragédia urbana afastou Yuka de seu instrumento e o prostrou para sempre numa cadeira de rodas. Enquanto ainda se recuperava, manteve-se ligado à banda, compondo e participando de alguns shows, mas, um ano depois, veio a notícia inesperada pelos fãs: Yuka deixava o Rappa num episódio mal explicado.

    Marcelo Yuka no Caminho das Setas não deixa dúvidas sobre o ocorrido. Uma briga por dinheiro minou as relações entre os integrantes da banda. Como letrista, ele levava 50% dos direitos autorais das canções e mais 10% pela participação na composição. Isso começou a incomodar os outros quatro integrantes do Rappa e levou à separação. Como adendo, diferenças ideológicas também tiveram seu papel, mesmo que coadjuvante: os ex-parceiros o acusam de ter sido usado pelos movimentos sociais aos quais se associou.

    Na elucidação do episódio temos um dos pontos altos do filme. Apesar de centrado na figura de Yuka, o documentário abre espaço para todos os integrantes da banda advogarem suas versões do fato. E a diretora Daniela Broitman em nenhum momento usa de recursos de montagem para favorecer este ou aquele lado da contenda musical. Fica exclusivamente a critério do espectador tirar suas conclusões.

    Esclarecido o conflito com o Rappa, o documentário concentra-se nas batalhas diárias de Yuka para vencer limitações físicas e se reafirmar como artista. Aqui sua honestidade faz o filme brilhar. Nada indulgente como sua própria situação, o músico abre as portas da realidade de um deficiente físico como raramente se vê. Fala abertamente em como considerou a possibilidade de suicídio, de como não superou a dureza de se ver preso a uma cadeira de rodas, do incômodo da dependência dos outros e da depressão – controlada a base de remédios – advinda de tudo isso.

    Em dado momento do filme, diz que as pessoas esperam ouvir dele uma mensagem de superação. “Eu passei 34 anos da minha vida andando e estou há pouco mais de 10 nessa condição, então não superei nada”. A honradez desse e de outros depoimentos do artista, a dor física pela qual passou e a psicológica por que ainda passa, me fez saltar da cadeira após a sessão e caminhar ciente desta capacidade como poucas vezes havia feito.

    Por longos minutos senti cada passo, cada evolução de minhas pernas, enquanto na cabeça perpassavam diversos momentos do filme. Mesmo falando de sua tragédia, Yuka é um artista na essência: capaz de mexer com as emoções do público e nos levar à reflexão ainda que à custa de seu sofrimento pessoal. Daniela Broitman teve a sensibilidade de captar tudo isso num excelente trabalho documental.


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