MARIA ANTONIETA

MARIA ANTONIETA

(Marie-Antoinette)

2006 , 123 MIN.

14 anos

Gênero: Drama

Estréia: 16/03/2007

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Sofia Coppola

    Equipe técnica

    Roteiro: Sofia Coppola

    Produção: Ross Katz, Sofia Coppola

    Fotografia: Lance Acord

    Estúdio: Columbia Pictures Corporation

    Elenco

    Asia Argento, Aurore Clément, Jamie Dornan, Jason Schwartzman, Judy Davis, Kirsten Dunst, Marianne Faithfull, Rip Torn, Steve Coogan

  • Crítica

    16/03/2007 00h00

    Filmes sobre figuras históricas são difíceis de serem feitos. Geralmente, o cineasta escolhe por fazer cinebiografias baseadas nos livros já produzidos sobre estes personagens. Este não foi o caminho escolhido por Sofia Coppola (Encontros e Desencontros) para a construção de Maria Antonieta. Por isso, a cineasta foi motivo de duras críticas em seu terceiro longa-metragem. Neste caso, é importante ter em mente qual foi o caminho traçado pela diretora em seu terceiro filme para que a produção seja compreendida da forma como deve ser. Maria Antonieta não funciona como registro histórico, mas sim como uma forma de se compreender de uma forma mais humana, digamos, a figura que dá nome ao longa.

    Nascida na Áustria em 1755, Maria Antonieta (Kirsten Dunst, voltando a trabalhar com a diretora depois de As Virgens Suicidas) casou-se com o delfim francês Luís (Jason Schwartzman) como parte de um acordo político entre as duas nações. Numa época em que casamentos são considerados tratos políticos, ela se torna a futura rainha da França aos 15 anos. Maria Antonieta acompanha a nova vida da protagonista em meio à nobreza francesa, aos injustificados protocolos reais e ao luxo dentro do Palácio de Versalhes. O filme a retrata como uma jovem sem interesses políticos numa França às vésperas da Revolução Francesa. Interessada somente em jóias, festas e na boa vida no seio da monarquia, Maria Antonieta nunca foi muito popular em sua época. Mas o filme não a transforma em vilã, muito pelo contrário: Sofia Coppola - também autora do roteiro - a retrata como uma jovem deslocada, entediada e pressionada por conta do casamento. Mais do que uma nobre, a Maria Antonieta é uma jovem que não se encaixa, assim como as protagonistas dos outros filmes de Sofia, que, em seu terceiro longa-metragem, é capaz de delinear muito bem que tipo de cinema ela pretende fazer em sua carreira; ela quer contar histórias sobre mulheres que não estão confortáveis em suas posições, sejam elas adolescentes suburbanas ou nobres européias. A diretora joga suas luzes sobre as fraquezas dos monarcas franceses que protagonizam o filme e é preciso admitir que ela teve coragem ao escolher esse tipo de abordagem nesta produção.

    Esteticamente, Maria Antonieta carrega todo o glamour burocrático da coroa francesa. O figurino, ganhador do Oscar nesta categoria, é um espetáculo e conta com sapatos desenhados exclusivamente por Manolo Blahnik, um dos mais adorados designers de sapatos dentro da alta costura. Essa preocupação da diretora com o figurino do filme é reflexo direto da reputação da rainha que, em plena França pré-revolucionária, passava muitos dos seus dias preocupando-se com roupas. A situação política do país na época pouco interessa a Maria Antonieta - filme e personagem; o longa-metragem se propõe a fazer um lúdico retrato da jovem vienense. Por isso, seu roteiro dá singelas pinceladas na ebulição social que vinha acontecendo na França durante o mandato de Luís XV. Além das roupas, também impressionam em Maria Antonieta os cenários. Afinal, grande parte das cenas foi filmada no Palácio de Versalhes, onde a protagonista morou em boa parte de sua vida.

    Claro que, como os filmes anteriores da cineasta, a trilha sonora é caprichada. Inclusive, as músicas exercem papel fundamental para dar tom aos acontecimentos na vida da protagonista. Fugindo de canções de época, Sofia pontua mais ainda o tom moderno nesta produção desde a abertura da produção ao som de Natural's Not In It, da banda pós-punk Gang Of Four. Air, The Strokes, Radio Dept. e Aphex Twin são outros nomes musicais que aparecem nesta trilha, provando que a cineasta também dá atenção redobrada à música em seus filmes.

    Se você aprecia os trabalhos anteriores de Sofia Coppola, certamente entenderá suas intenções nesta nova produção. Talvez escolher uma figura tão emblemática como Maria Antonieta para esta superprodução tenha sido um passo grande demais para a diretora, mas ela consegue muito bem adequar seu estilo à história da rainha francesa. Maria Antonieta não é simplesmente uma cinebiografia, mas, principalmente, a história da personagem sob o olhar tão particular da cineasta.

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