MARIA CHEIA DE GRAÇA

MARIA CHEIA DE GRAÇA

(Maria Full of Grace)

2004 , 101 MIN.

14 anos

Gênero: Drama

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Joshua Marston

    Equipe técnica

    Roteiro: Joshua Marston

    Produção: Paul S. Mezey

    Fotografia: Jim Denault

    Trilha Sonora: Jacobo Lieberman, Leonardo Heiblum

    Estúdio: HBO Films

    Elenco

    Catalina Sandino Moreno, Guilied Lopez, John Álex Toro, Orlando Tobon, Patricia Rae, Yenny Paola Vega

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    O cartaz do filme Maria Cheia de Graça mostra uma menina olhando para cima, como se estivesse recebendo uma hóstia de um padre. No lugar da hóstia, uma cápsula cheia de drogas, como as que ela carrega no estômago neste filme. Essa imagem é a síntese do longa-metragem de estréia do norte-americano Joshua Marston que, mais do que falar sobre a difícil situação das mulheres que trabalham como "mulas", transportando drogas dentro de seu próprio corpo para os EUA, ainda conta a história de uma garota que encontra nessa prática uma forma de encontrar a redenção.

    Maria Alvarez (Catalina Sandino Moreno, Urso de Prata em Berlim por esta performance) é uma jovem de 17 anos que trabalha retirando espinhos e folhas de rosas colhidas em sua pequena cidade colombiana, que tem na indústria das flores a principal fonte econômica. Portanto, há poucos outros lugares onde ela pode trabalhar. Mesmo assim, cansada dos maus-tratos, Maria pede demissão, mesmo sabendo que é a principal fonte de renda de sua família. É com seu salário que sobrevivem sua mãe, a irmã e o sobrinho pequeno. Em uma viagem a Bogotá, a menina - que acaba de descobrir estar grávida de um homem que não ama - encontra um conhecido que lhe apresenta a perspectiva de ser "mula". Para isso, ela deve engolir mais de 60 cápsulas de borracha recheadas de cocaína. Cada uma delas tem mais de quatro centímetros de comprimento e quase dois de largura, cabendo dez gramas de drogas. Com isso no estômago, correndo o risco de uma delas estourar (o que significaria a morte), Maria viaja aos EUA para entregar o produto aos traficantes. O dinheiro é bom - milhares de dólares que ajudariam sua família a ter condições de vida dignas. Não há dúvidas que Maria aceita o trabalho.

    Depois de quase ser presa em terras norte-americanas, ela chega ao encontro dos traficantes. Em sua companhia estão a amiga Blanca (Yenny Paola Vega) e a nova conhecida Lucy (Guilied Lopez), com quem logo de identifica. Especialmente quando uma cápsula parece estourar dentro de seu estômago e ela passa mal dentro do avião. Quando os bandidos matam Lucy, Maria e Blanca fogem. Sem ter para quem pedir ajuda - afinal, elas fogem do hotel com as drogas - e sendo perseguidas por traficantes, as duas meninas estão mais pedidas do que nunca e procuram a irmã de Lucy (foi para aquele país em busca de uma vida melhor), uma mulher completamente estranha que, em comum, tem a nacionalidade colombiana e a busca por melhores condições. É exatamente este o caminho para a redenção de Maria.

    Para escrever o roteiro de seu primeiro longa, Marston fez uma extensiva pesquisa no Equador e Colômbia para conhecer o drama dos "mulas", tipo de trabalho que é reflexo direto do contraste entre os países desenvolvidos e os subdesenvolvidos. Maria Cheia de Graça é um resultado contundente e sensível dessa pesquisa. O filme mostra não somente a crueldade da situação dessas pessoas, mas também mostra como um crime como este, para eles, pode significar muito mais do que a violação das leis. Trabalhar como "mula" é a forma que eles encontram para conseguir condições melhores de vida para eles mesmos e para a família, condições que não são encontradas em na própria terra natal.

    Apesar de se tratar de um tema pesado, há leveza e sensibilidade em Maria Cheia de Graça. E, por que não, uma mensagem de esperança. Afinal, é mais ou menos isso que procuramos na redenção de nossos atos falhos, assim como procura Maria. E é dentro do próprio corpo que ela carrega a esperança de uma vida melhor, assim como a Maria Cheia de Graça do catolicismo.

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