MARIGHELLA (2011)

MARIGHELLA (2011)

(Marighella)

2011 , 100 MIN.

10 anos

Gênero: Documentário

Estréia: 10/08/2012

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Isa Grinspum Ferraz

    Equipe técnica

    Roteiro: Isa Grinspum Ferraz

    Produção: Isa Grinspum Ferraz, Pablo Torrecillas, Rodrigo Castellar

    Fotografia: Alziro Barbosa

    Trilha Sonora: Mano Brown, Marco Antônio Guimarães

    Estúdio: TC Filmes, Texto & Imagem

    Distribuidora: Downtown Filmes

  • Crítica

    04/08/2012 15h00

    Muitos confundem documentário com trabalho jornalístico e acham que documentarista não pode tomar partido e está obrigado a ouvir todas as partes. Sem for da intenção do diretor, sim, o filme documental pode ser uma das formas possíveis - dentre muitas - de se fazer reportagem, com a vantagem de explorar com maior liberdade as possibilidades técnicas e narrativas. Se o propósito do autor for outro, não se deve condenar a parcialidade, apenas cobrar verdade no que é retratado.

    É assim com Mariguella, filme dirigido por sua sobrinha, Isa Ferraz. O longa humaniza a figura do militante mostrando detalhes da intimidade familiar e do círculo de amigos de luta deste ícone da ícone da esquerda brasileira, baleado e morto dentro de um Fusca em 1969, em São Paulo. Um olhar singular e interessante que só quem era de dentro da família seria capaz de documentar, com a vantagem de não mitificar ainda mais a figura de Mariguella, levando às telas o ser humano por atrás do revolucionário ilustre dos quadros da Ação Libertadora Nacional.

    A diretora reúne entrevistas com militantes que combateram ao lado do guerrilheiro, de Clara Charf, sua viúva, de seu filho Carlos Augusto Marighella e de figuras notáveis na resistência à ditadura, como o professor Antonio Candido. O filme conta também com a narrativa em off de poemas e escritos de Marighella, interpretados pelo ator Lázaro Ramos.

    A ausência de registros filmados de Marighella - não existem imagens dele em movimento - é compensada por imagens da épooca retratada e fotografias familiares. O documentário revela ainda algumas pepitas garimpadas por Isa, como documentos secretos da CIA sobre Carlos Marighella e uma entrevista inédita dada por ele à Radio Havana, em 1967, e encontrada em perfeito estado de conservação.

    Marighella não é um documento jornalístico sobre a figura controversa do guerrilheiro que pegou em armas contra a ditadura. Isa não ouviu o outro lado. Seu filme não é imparcial, mas uma homenagem ao tio, o baiano poeta, misterioso aos olhos da menina Isa, que sempre desaparecia, por força da militância política, e, sem prévio aviso, retornava. Até o dia em que não mais voltou. Um trabalho pessoal e afetivo, mas que com suas imagens ajuda a reaver a memória política do país.


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