MATARAM IRMÃ DOROTHY

MATARAM IRMÃ DOROTHY

(They Killed Sister Dorothy)

2008 , 94 MIN.

10 anos

Gênero: Documentário

Estréia: 17/04/2009

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Daniel Junge

    Equipe técnica

    Produção: Henry Ansbacher, Nigel Noble

    Fotografia: Marcela Bourseau

    Trilha Sonora: Pedro Bromfman

  • Crítica

    17/04/2009 00h00

    Dorothy Stang, missionária americana que atuava pela distribuição de terra na Amazônia há mais de 40 anos, foi assassinada a mando de fazendeiros e latifundiários que se opunham à proposta do Plano de Desenvolvimento Sustentável (PDV). Sem muitos rodeios, o documentário Mataram Irmã Dorothy, de Daniel Junge, recupera o legado de Dorothy, os antecedentes e o pós-assassinato.

    Se o longa não traz inovações narrativas, presta-se bem a retomar um caso vergonhoso e exemplo da morosidade da Justiça, a passividade do Estado e do poder dos que "têm dinheiro", na boa e simples linguagem popular. Membro da congregação Irmãs de Nossa Senhora de Namur, Dorothy Mãe Stang foi assassinada em 2005 com seis tiros na cabeça. Ela atuava há 20 anos no Estado do Pará, responsável por 40% das 1237 mortes de trabalhadores rurais no Brasil. O choque com pecuaristas e madeireiros se intensificou na implantação do PDV, que reservava áreas da Amazônia para agricultura familiar, preservando-a do desmatamento.

    Depois do assassinato, dois rapazes foram acusados do assassinato e um de intermediar o contato com fazendeiros do estado, que haviam pagado os pistoleiros. A Justiça paraense condenou os pistoleiros e o intermediador. Apesar de uma primeira condenação, o fazendeiro Vitalmiro Bastos de Moura, o Bida, foi inocentado da acusação de mandante do assassinato. A revisão na decisão dos jurados foi influenciada pela mudança de depoimento de um dos pistoleiros, Rayfran. O outro mandante acusado, Reginaldo Galvão, o Taradão, aguarda julgamento em liberdade. Em 2007, ambos foram denunciados pelo Ministério Público Federal por submeter trabalhadores a condições semelhantes ao trabalho escravo.

    Se os componentes do caso por si só saltam e chamam muito a atenção, o documentarista Junge captou uma seqüência de imagens que refletem o Estado brasileiro. Junge entrevistou o advogado de Bida, Américo Leal, e sua equipe. A prepotência e arrogância do advogado espelham uma certeza de podridão da Justiça e a confiança na impunidade. Olhar para sua imagem é o mesmo que sentir o fedor que emana das putrefatas instituições brasileiras.

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