Pôster de Mataram Meu Irmão

MATARAM MEU IRMÃO

(Mataram meu irmão)

2013 , 77 MIN.

14 anos

Gênero: Documentário

Estréia: 22/11/2013

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Cristiano Burlan

    Equipe técnica

    Fotografia: Rafael Nobre

    Montador: Cristiano Burlan, Lincoln Péricles

  • Crítica

    18/11/2013 15h08

    Vencedor da edição 2013 do Festival É Tudo Verdade, este documentário reconstitui a morte do irmão do diretor Cristiano Bulan em 2001, no Capão Redondo, zona sul de São Paulo. Envolvido com a criminalidade e viciado em crack, Rafael Burlan foi assassinado com sete tiros e jogado numa vala. Tinha 22 anos e deixou dois filhos.

    Marcado pela tragédia, o cineasta ficou angustiado com a ideia de que poderia ter salvado o irmão caso o tivesse convidado para jantar e ir ao cinema na noite do crime. Resolveu levar às telas seu drama pessoal, mas foi além ao exibir um panorama da violência em bairros da periferia paulistana.

    Cristiano trata da morte do irmão de forma objetiva, sem defendê-lo ou reverenciá-lo. Entrevista parentes e amigos que vão construindo com seus depoimentos o perfil de Rafael. Este, aos poucos, vai deixando de ser estatística e se humanizando aos olhos da audiência.

    Paralelamente, o espectador mergulha na intrincada estrutura que move a violência nos bairros da periferia paulistana. Principal mérito do filme, que aponta sua câmara para um episódio trágico e consegue revelar um todo ainda mais calamitoso.

    Burlan tomou uma decisão arriscada: abrir o registro para que os depoentes falassem abertamente. Interferindo muito pouco, estava ciente do risco de encher seu filme de supérfluos, as chamadas "barrigas". Ao mesmo tempo, apostou que essa liberdade poderia lhe render boas situações, como de fato ocorre.

    Um desses momentos se dá quando entrevista um amigo de infância. Este está na praia, tomando uma cerveja e, entre um gole e outro, se propõe a interpretar o drama que tomou conta da família Burlan. O discurso é casual, livre como uma boa conversa de bar, mas muito revelador do viver (e morrer) na periferia.

    Despretensioso, Mataram Meu Irmão não se propõe a dar explicações rasas. Apenas faz um retrato cru do que se passa nesses bairros pobres e violentos. O filme termina com as fotos do inquérito policial que mostram a vítima morta no local do crime. Neste ponto, Rafael Burlan deixou de ser apenas uma nota de rodapé nas páginas policiais. Nosso olhar não enxerga mais um cadáver a engrossar as estatísticas e sim um ser humano. E não deveria ser sempre assim?

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