MATE SEUS ÍDOLOS

MATE SEUS ÍDOLOS

(Kill Your Idols)

2004 ,

Gênero: Documentário

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Scott Crary

    Equipe técnica

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    Movimento de contestação musical nascido na década de 70.
    A idéia era destruir sonoridades, mudar a cara do rock-and-roll.
    O que você pensa lendo essas duas frases? Será o punk esse movimento? Não se estivermos falando sobre o tema do documentário Mate Seus Ídolos, dirigido por Scott Crary. Neste caso, estamos falando da No Wave. Não se trata de um movimento, na verdade. Trata-se de uma série de artistas fazendo coisas parecidas em uma mesma época e local.

    Localidade: Nova York.
    Música: Rock-and-roll.
    Década: 70.
    Principais artistas: DNA, Teenage Jesus, Suicide, entre outros.
    Objetivo: incomodar. De preferência com uma guitarra bem distorcida.

    Essa é a ficha resumida dessas bandas rotuladas como No Wave que, numa época e local onde surgiam grupos como Ramones, New York Dolls e Blondie, resolveram subverter ainda mais a música, tentando fazer acordes e sons que se parecessem cada vez menos com o blues, ou o rock clássico feito pela turma de Chuck Berry. Não somente músicos, mas também performáticos no palco, os artistas da No Wave, apesar de não terem sido tão badalados como os punks nova-iorquinos, fizeram escola e influenciaram bandas atuais como Sonic Youth (que, hoje em dia, são mais influência do que influenciados), Yeah Yeah Yeahs, Black Dice e Liars, todos também baseados na Big Apple.

    O filme de Crary é todo baseado em depoimentos de nova-iorquinos que fizeram parte da "cena" No Wave. Em ordem cronológica, o diretor dá voz a essas pessoas que testemunharam todos os acontecimentos dessa movimentação musical tão importante e, ao mesmo tempo, tão pouco conhecida, alternando seus depoimentos com cenas de shows da época. Ao mesmo tempo, Crary mostra em seu documentário como as bandas nova-iorquinas atuais - tão visadas pela mídia - são herdeiras diretas da No Wave no sentido de subverter acordes e incorporarem aspectos em suas performances que chegam a ser teatrais. Para quem esteve presente no festival Sónar que aconteceu em São Paulo em setembro de 2004 e pôde ver os shows de Arto Lindsay e Liars (ambos presentes neste documentário), pôde perceber que há uma semelhança na performances de ambos nessas características citadas acima.

    Para quem gosta de rock-and-roll, Mate Seus Ídolos é uma produção que nos ajuda a entender o que acontece agora e em quem esses artistas atuais se basearam. A produção também levanta a questão da originalidade: será que, hoje em dia, é preciso misturar gêneros ao rock-and-roll (como o rap, eletrônico ou canções étnicas) para que se consiga uma música realmente inédita? Ou, será que as bandas vão continuar sempre olhando para o passado? Não se chega a conclusão nenhuma em relação a isso, nem o espectador nem os artistas entrevistados. Mas não é esse o objetivo de Crary: na verdade, ele quer provar - acredito - que o presente sempre se apóia no passado, pelo menos em se tratando de rock. Agora, se isso é bom ou ruim, resta ao espectador concluir.

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