MEGAMENTE

MEGAMENTE

(Megamind)

2010 , 96 MIN.

Gênero: Animação

Estréia: 03/12/2010

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Tom McGrath

    Equipe técnica

    Roteiro: Alan J. Schoolcraft, Brent Simons

    Produção: Ben Stiller, Stuart Cornfield

    Trilha Sonora: Hans Zimmer, Lorne Balfe

    Estúdio: Dreamworks, Red Hour Films

    Distribuidora: Paramount Pictures Brasil

    Elenco

    Brad Pitt, Jonah Hill, Tina Fey, Will Ferrell

  • Crítica

    02/12/2010 10h00

    Imagine a origem do Super-Homem. Krypton está em colapso e um bebê, que se tornaria Clark Kent, é colocado em uma cápsula espacial por seus pais e expelido no universo, em busca de um planeta onde ele pudesse viver. Agora, imagine essa cápsula sendo tirada de seu curso por outro bebê em apuros. É assim que começa Megamente, nova animação da DreamWorks, dirigida por Tom McGrath (Madagascar 2 – A Grande Escapada).

    Na história, o pequeno Megamente (Will Ferrell na versão original e Cláudio Galvan na nacional) aterrissa numa penitenciária e é criado por vários criminosos. Logo, ele mostra sua aptidão para inventar máquinas e toda sorte de engenhoca para impressionar os outros, mas sempre é obscurecido pelo garotinho da outra cápsula, que teve uma criação generosa e ficou conhecido como Metro Man (Brad Pitt em inglês, Thiago Lacerda em português).

    Já adultos (e inimigos mortais), os dois duelam uma última vez e Megamente consegue massacrar o super-herói. Curiosamente, sem seu nêmesis, o lorde do mal não se sente bem. Pelo contrário, ele se vê num vazio imenso sem ninguém para se opor às suas vilanias, sentindo até culpa por seus atos, e começa a se questionar sobre o porquê dele mesmo não ser um super-herói – e, é claro, esse questionamento trará muita dor de cabeça para ele (e para a cidade de Metro City).

    A história surpreende no seguinte ponto: na maioria dos filmes de super-heróis, o contato com o lado humano e frágil do vilão ocorre apenas no final, quando ele está prestes a ser aniquilado. No entanto, em Megamente, o espectador já é apresentado à gênese do protagonista e à sua razão para ficar malvado antes mesmo do nome do filme aparecer na telona. E o melhor é que há a vontade de torcer por ele desde o início, tamanha a empatia gerada por sua trajetória – por mais que ele faça esforço para ser “do mal”.

    Will Ferrell (Os Outros Caras), bonachão por natureza e um pouco incompreendido em seu humor (afinal, ele é, pelo segundo ano seguido, o pior custo-benefício de Hollywood), ficou excelente no papel do alienígena azulado, que se torna vilão não por querer ser um, mas por não encontrar espaço para as suas boas intenções. Cláudio Galvan também teve ótimo desempenho na versão dublada, conseguindo mostrar, de forma criativa, o lado cômico do personagem de cabeça enorme.

    A trilha sonora é um capítulo à parte, bem conduzida por Lorne Balfe (A Origem) e Hans Zimmer (Sherlock Holmes), e com ótimas inclusões de clássicos do rock, tocados por AC/DC, Ozzy Osbourne, Guns N’ Roses, entre outros. Destaque também para a consultoria criativa dada por Guillermo del Toro (Hellboy II – O Exército Dourado) e Justin Theroux (Homem de Ferro 2), que certamente ajudaram a compor melhor todas as criaturas e personagens na animação. Também ficará na memória a citação ao personagem de Marlon Brando (A Cartada Final) no Superman, de Richard Donner (16 Quadras).

    Megamente pode parecer, num primeiro momento, apenas mais uma animação pirotécnica sobre heróis e vilões, mas adquire profundidade ao mostrar personagens descobrindo o que realmente querem ser, independente do que os outros acham que eles são. O filme dessacraliza a figura do herói, mostrando que há bondade e maldade em todos, e enaltece a descoberta da própria vocação por si mesmo. E o bom é que tudo isso veio por meio de um filme dinâmico, com bom uso do recurso 3D e que certamente agradará adultos e garantirá alguns bons risos às crianças pelas confusões – inclusive em uma cena em que o azulão estapeia a si mesmo, ao melhor estilo Jim Carrey, em O Mentiroso.

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