MEIA NOITE EM PARIS

MEIA NOITE EM PARIS

(Midnight in Paris)

2011 , 94 MIN.

12 anos

Gênero: Comédia Dramática

Estréia: 17/06/2011

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Woody Allen

    Equipe técnica

    Roteiro: Woody Allen

    Produção: Jaume Roures, Letty Aronson, Stephen Tenenbaum

    Fotografia: Darius Khondji

    Trilha Sonora: Stephane Wrembel

    Estúdio: Gravier Productions, Mediapro, Televisió de Catalunya (TV3), Zentropa International Sweden

    Distribuidora: Paris Filmes

    Elenco

    Adrien Brody, Adrien de Van, Alison Pill, Audrey Fleurot, Carla Bruni, Catherine Benguigui, Corey Stoll, Daniel Lundh, David Lowe, Emmanuelle Uzan, François Rostain, Gad Elmaleh, Guillaume Gouix, Karine Vanasse, Kathy Bates, Kurt Fuller, Laurent Claret, Laurent Spielvogel, Léa Seydoux, Marcial Di Fonzo Bo, Marianne Basler, Marie-Sohna Conde, Marion Cotillard, Maurice Sonnenberg, Michael Sheen, Michel Vuillermoz, Mimi Kennedy, Nina Arianda, Olivier Rabourdin, Owen Wilson, Rachel McAdams, Sava Lolov, Serge Bagdassarian, Sonia Rolland, Thérèse Bourou-Rubinsztein, Thierry Hancisse, Tom Cordier, Tom Hiddleston, Vincent Menjou Cortes, Yves Heck, Yves-Antoine Spoto

  • Crítica

    22/06/2011 14h30

    É isso, Woddy Allen! Quando alguém que respeita seu trabalho aponta comodismo na realização de Você Vai Conhecer o Homem dos Seus Sonhos é porque sabemos que tipo de emoção e encenação ele pode entregar aos espectadores. Desta vez, em Meia Noite em Paris, Allen deixa de realizar apenas um filme médio para apresentar uma grande obra.

    Êxtase é o adjetivo perfeito para definir o durante e o depois da sessão. Com sofisticação, charme e sem amarras quanto ao realismo, esta comédia desenrola um interessantíssimo comentário sobre a relação com o passado e o deslocamento com o presente, passando por uma descarada homenagem a feras da música e literatura, com destaque para o genial Cole Porter. Para encerrar, um olhar muito particular sobre a capital francesa, a qual já vimos centenas de vezes em centenas de filmes. Acredite: a Paris deste filme de Woody Allen é diferente.

    Já na sequência inicial, composta de flashes de alguns segundos de pontos turísticos da cidade, como o Arco do Triunfo, Museu do Louvre e Champs-Élysée, não estamos mais em 2011. As imagens são de hoje, assim como os cafés, os pedestres e carros. A música, porém, é o standard Let’s Do It (Let’s Fall in Love), de 1928, que descobriremos ser a canção-tema do longa. Sutilmente, a atmosfera de Meia Noite em Paris é colocada: dali em diante o romantismo será o principal filtro na apreciação do filme.

    O grande romântico do filme é Gil (Owen Wilson, que incrivelmente está muito bem no papel), um roteirista cansado de Hollywood que tenta convencer a si próprio que poderá se tornar um grande escritor. Ele faz de Paris o cenário ideal para suas férias intelectuais e sentir em qual momento real está a relação com a noiva Ignez (Rachel McAdams).

    Gil está neste século por acidente. Seu tempo perfeito é os anos 20, de preferência numa Paris chuvosa acompanhada das canções de Cole Porter e tendo um Hemingway ou F. Scott Fitzgerald para inspirar a imaginação. Fazer compras, voltar abarrotado de sacolas, andar de táxi, gastar dinheiro em restaurantes sofisticados e outras futilidades não o comovem. As calçadas foram feitas para serem ocupadas por pessoas: para ele, a cidade é uma grande e belíssima companheira que abre os braços e o convida sensualmente a conhecê-la. A Paris do filme é tão viva quanto a Barcelona de Vicky Cristina Barcelona, com um senão: na visão do cineasta, a capital francesa conclama o amor, enquanto a urbe catalã urge pelo desejo.

    Gil é um homem deslocado. A solução, porém, é encontrar sua turma. E ele o faz, gesto que dá a Meia Noite em Paris uma aura mágica, inspiradora. Por não ser ultrarromântico, Woody Allen anda entre a idealização e a maturidade com o passado, fazendo uma interessante colocação: aos olhos de hoje, o ontem sempre vai parecer mais interessante.

    Por isso que seu 41º longa-metragem para cinema é mais uma homenagem a um tempo do que sua representação saudosista. No começo, dizemos quase automaticamente que aqueles, sim, são grandes tempos. Mais para frente, a segurança se dissipa: é mesmo a grande época? Dá para sentir, até, uma certa frustração por não se ter nascido antes – e cada um tem seu momento preferido do ontem. O jeito é lidar com o presente e trazer do passado o que interessa para que criemos hiatos de felicidade no hoje.

    Equilíbrio

    O cômico de Meia Noite em Paris vem do insólito, não de uma piada escrita deliberadamente para criar o riso. Já o drama nasce das reflexões nas quais o protagonista mergulha a cada vez que recorre a seus mestres literários. Há um equilíbrio preciso entre os dois gêneros.

    E o melhor: desta vez não há o narrador (Ok, em Vicky Cristina Barcelona caiu bem) para amarrar a história. Gil é um personagem suficientemente forte e interessante para ter um mundo habitando à sua volta. De certa maneira, o filme retoma um assunto importante na obra de Woody Allen: o medo do fracasso.

    Esta paúra que fez com que Roy (Josh Brolin) tomasse uma atitude desesperada e covarde em Você Vai Conhecer o Homem dos Seus Sonhos, desta vez leva a uma direção oposta, à esperança. Por isso a força também de Gabrielle (Léa Seydoux), uma personagem que aparece em apenas duas sequências: ela não é apenas a vendedora de antiguidades, mas a porta para um outro mundo de possibilidades no presente.

    Um último comentário sobre o elenco vai para dois atores. O primeiro, nem sempre lembrado por grandes papeis, Owen Wilson: até sua pronúncia tão particular e o tempo de fala pausado se encaixa perfeitamente neste americano na contramão buscando encontrar uma Paris de um tempo que se foi. O segundo comentário é sobre Marion Contillard, de fundamental personagem no filme: há tempos não a víamos tão encantadora e sedutora. Provavelmente, desde Inimigos Públicos.

    Há ainda mais a dizer sobre Meia Noite em Paris, mas é melhor não estragar a surpresa. Simplesmente um Woody Allen em grande forma. Aos 75 anos. Pode não ser o melhor de sua fase europeia, inaugurada em Match Point – Ponto Final, mas esbanja um contagiante encanto.

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