MEMÓRIAS PÓSTUMAS

MEMÓRIAS PÓSTUMAS

(Memórias Póstumas)

2000 , 102 MIN.

12 anos

Gênero: Comédia

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • André Klotzel

    Equipe técnica

    Roteiro: André Klotzel, José Roberto Torero

    Produção: André Klotzel

    Fotografia: Pedro Farkas

    Estúdio: Superfilmes

    Elenco

    Débora Duboc, Marcos Caruzo, Nilda Spencer, Otávio Muller, Petrônio Gontijo, Reginaldo Farias, Sonia Braga, Stepan Nercessian, Viétia Rocha, Walmor Chagas

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    De uma forma ou de outra, “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, de Machado de Assis, é um livro que quase todo mundo conhece. Muita gente leu obrigado na escola. Muita gente leu porque caiu no vestibular. E, quem não leu, pelo menos copiou do colega aqueles terríveis resuminhos literários feitos para estudantes.

    Adaptar para o cinema um livro tão conhecido traz ao mesmo tempo uma grande vantagem e uma grande desvantagem. A vantagem é de marketing: o filme ganha em divulgação, já a partir do próprio título. A desvantagem é encarar o risco daqueles desgastados comentários de que “o livro é melhor”.

    O filme Memórias Póstumas ficou só com a vantagem. A adaptação é da melhor qualidade. O roteiro de André Klotzel (diretor de A Marcada Carne) e os diálogos do escritor e cineasta José Roberto Torero conseguiram manter no filme o mesmo humor fino e irônico que Machado destilou no seu livro.

    Para quem não se lembra, a história é contada sob o ponto de vista de um defunto, Brás Cubas (magnífica interpretação de Reginaldo Faria), um rico bom vivant carioca. Após sua morte, em 1869, Cubas decide narrar suas memórias. E o faz de forma bem-humorada, leve, contando tudo sobre seus amores, decepções, viagens, sonhos. São observações deliciosamente sarcásticas, reflexões de vida (ou de morte?), nascidas do ócio criativo de quem nunca precisou trabalhar para viver.

    Klotzel, que além de roteirizar e dirigir também montou o filme, optou por fazer com que o personagem principal se dirigisse diretamente ao público, olhando para a lente da câmera. Apesar de arriscada, a opção se mostrou das mais felizes. Primeiro porque é exatamente assim que Cubas fala com o leitor do livro original: direta e francamente. Segundo porque Klotzel tinha em mãos o grande talento de Reginaldo Faria, que conseguiu conectar o “diálogo” com a platéia de maneira bastante empática.

    Junta-se a isso o trabalho dos mais competentes profissionais do cinema brasileiro (Pedro Farkas na fotografia e Adrian Cooper na direção de arte, por exemplo) e o resultado é um dos melhores filmes nacionais do ano. Merecidamente, o grande vencedor do Festival de Gramado que terminou na semana passada. Não deixe de ver.

    15 de agosto de 2001
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    Celso Sabadin é jornalista e crítico de cinema da Rede Bandeirantes de Televisão, Canal 21, Band News e Rádio CBN. Às sextas-feiras, é colunista do Cineclick. [email protected]

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