MENSAGEIRAS DA LUZ - PARTEIRAS DA AMAZÔNIA

MENSAGEIRAS DA LUZ - PARTEIRAS DA AMAZÔNIA

(Mensageiras da Luz - Parteiras da Amazônia)

2004 , 72 MIN.

Gênero: Documentário

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Evaldo Mocarzel

    Equipe técnica

    Roteiro: Evaldo Mocarzel

    Produção: Ugo Giorgetti

    Fotografia: Paulo Jacinto dos Reis

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    É interessante a trajetória do cineasta Evaldo Mocarzel. Depois de atuar vários anos como jornalista da área cultural, ele se lançou no mercado como documentarista e acabou transformando-se numa espécie de "papa-prêmios" de festivais de cinema. Tanto em curtas como em longas-metragens. Um de seus trabalhos mais famosos - À Margem da Imagem - já foi exibido em variados cortes, e acabou sendo exibido como curta, média e também longa-metragem.

    Ativo, agitado e eternamente entusiasmado, Mocarzel produz compulsivamente. Um de seus trabalhos mais recentes consegue agora espaço no circuito comercial: Mensageiras da Luz - Parteiras da Amazônia, filme que retrata o trabalho amador, artesanal e milenar de um grupo de parteiras no interior do estado do Amapá. A primeira questão que vem à cabeça é: por que documentar as parteiras do Amapá? Uma dúvida que logo se dissipa quando o cineasta consegue passar para a tela um clima de empatia e cumplicidade que ele desenvolve junto às entrevistadas. Em poucos minutos, o público fica absorvido por aquele mundo estranho, belamente primitivo e distante, tão diferente da nossa realidade urbana repleta de maternidades - sem trocadilho - de última geração.

    São depoimentos humildes, emocionados e emocionantes de mulheres da mais extrema simplicidade, que realizam o mais divino dos atos: dar um ser humano à luz. Vida e morte convivem. Há espaço também para digressões culturais, como na cena que marca o encontro de duas parteiras índias mestiças que já abandonaram a própria língua - o caripuna - e se reconhecem foneticamente trocando palavras de sonoridade francesa. Fruto de antigas tradições coloniais de uma época em que ainda não existia a palavra "globalização".

    O cinema de Mocarzel é assim: não se atém muito a regras rígidas. Pode falar de nascimento e morte num minuto para abordar colonização francesa logo depois. Ele viaja e faz viajar. Da mesma forma que não se furta em utilizar a experiência pessoal (e de sua esposa) para registrar em filme o parto da própria filha. Afinal, lembrando o nome daquele famoso festival de documentários, "é tudo verdade".

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