Meteora

METEORA

(METEORA)

2012 , 81 MIN.

16 anos

Gênero: Comédia Dramática

Estréia: 14/08/2014

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Spiros Stathoulopoulos

    Equipe técnica

    Roteiro: Asimakis Alfa Pagidas, Spiros Stathoulopoulos

    Produção: Philippe Bober, Susanne Marian

    Fotografia: Spiros Stathoulopoulos

    Estúdio: Essential Filmproduktion GmbH

    Montador: George Cragg

    Distribuidora: Espaço Filmes

    Elenco

    Aleksandra Siafkou, Dimitris Hristidis, Giorgos Karakantas, Stelios Mavroudakos, Tamila Koulieva-Karantinaki, Theo Alexander, Zoe Stathoulopoulou

  • Crítica

    12/08/2014 14h40

    Experimental e repleto de signos a serem decifrados, Meteora definitivamente não é um filme para qualquer um. Selecionado para a mostra principal do Festival de Berlim em 2012, o filme do grego Spiros Stathoulopoulos ousa na forma e abusa de texto não-verbal para construir uma narrativa que tem na sua forma o grande diferencial.

    Ambientado em um dos cenários mais belos de uma Grécia que ainda conserva um modo de vida ligado à natureza e costurado pela fé, Meteora tem como principais locações dois mosteiros construídos no alto de grandes montanhas, representados como colossos que se fudem com as nuvens do céu. Em um deles vive Theodorus (Theo Alexander, da série True Blood, aqui irreconhecível), monge que leva uma vida de entrega ao cristianismo ortodoxo. No outro está Urania (Tamila Koulieva), recatada e tímida freira enclausurada na repetição de suas tarefas cotidianas.

    De mundos tão parecidos quanto opostos, os dois se envolvem em um amor proibido, uma metáfora da tortuosa relação entre fé e natureza, entre aquilo que temos de humano (o desejo) e aquilo que buscamos (o divino). Para além dos vales e das paisagens encantadoras, dos rituais de suas religiões, o diretor constrói cenas repletas de simbolismo, um raro e bem trabalhado desafio de percepção e leitura para o espectador.

    Para isso, o filme faz uma ousada e acertada opção por mesclar cenas com atores reais e animações que lembram traços de arte bizantina. Há uma sequência impactante, em que Theodorus prega as mãos de Cristo em uma cruz e o sangue que jorra de seus ferimentos transforma tudo e todos em uma representação do inferno. Em outra sequência, Urania é apresentada como uma Rapunzel, que trança seus longos cabelos para receber a visita de seu amado.

    Essas representações, que permeiam todo o longa, ganham impacto com a adição de sequências ousadas, cenas explícitas dos corpos dos protagonistas entrelaçados, tão cruas e naturais que parecem por vezes fora de tom. Mas talvez sejam essenciais para construir uma convincente dialética entre o humano e o divino.

    "O único pecado sem perdão é o desespero", dizem em determinado momento os protagonistas e aqui está, talvez, uma metáfora da nossa eterna busca. É preciso descer dos céus, do alto e lembrar de nossas naturezas para, lá embaixo, longe das imposições, amar. Afinal, quem sabe o amor  não é a forma mais possível de nos aproximarmos de Deus?

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