MEU IRMÃO É FILHO ÚNICO

MEU IRMÃO É FILHO ÚNICO

(Mio fratello è figlio unico)

2007 , 100 MIN.

14 anos

Gênero: Comédia

Estréia: 01/08/2008

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Daniele Luchetti

    Equipe técnica

    Roteiro: Daniele Luchetti, Sandro Petraglia, Stefano Rulli

    Produção: Giovanni Stabilini, Marco Chimenz, Riccardo Tozzi

    Fotografia: Claudio Collepiccolo

    Trilha Sonora: Franco Piersanti

    Elenco

    Alba Rohrwacher, Angela Finocchiaro, Elio Germano, Luca Zingaretti, Massimo Popolizio, Riccardo Scamarcio

  • Crítica

    01/08/2008 00h00

    O título pode sugerir uma comédia. Não é, embora tenha seus momentos cômicos. Aliás, como quase todo filme italiano. Quem resiste seriamente a um belo tapa na nuca? A uma boa briga numa família do sul da Itália? De qualquer maneira, a princípio, Meu Irmão é Filho Único deveria ter o mesmo nome do livro que o inspirou - Il Fasciocomunista -, mas foi alterado para prestar uma homenagem à canção Mio Fratello è Figlio Unico, do cantor e compositor Rino Gaetano, muito popular na Itália nos anos 70.

    O fio condutor da História é o jovem Accio (Elio Germano), um garoto perdido entre as incertezas da Itália dos anos 60. Estudando num seminário, ele questiona abertamente os dogmas da Igreja. Reza para os comunistas "se converterem" e retirarem os mísseis das bases cubanas. Intransigente, é expulso e retorna à sua casa num vilarejo sulista. Porém, sua casa não é mais o seu lar: não há sequer espaço para dormir e Accio se revolta agora contra os pais e irmãos. Sem se encaixar em nenhum modelo social, irritantemente adolescente, agressivo e inquieto, o rapaz é presa fácil para a Juventude Fascista, movimento no qual se engaja com fervor. Seus problemas estão apenas começando.

    Meu Irmão é Filho Único é um belo painel sócio-político e familiar das turbulentas décadas de 60 e 70. Tudo é radiografado sob o ponto de vista do protagonista/ narrador, que esmiúça sem rodeios as contradições de sua sociedade. Ele tem a ousadia de se tornar fascista dentro de uma família eminentemente comunista. E não hesita em mostrar todo o seu prazer ao espancar o namorado da irmã, a pedido dela própria. "É sempre bom ter um fascista na família", orgulha-se. Perdido numa cidadezinha do interior, admite que "passou o ano de 1968 tomando a sopa que a mãe preparava". E sentiu (literalmente) na pele as surras vindas de todos os lados. Da direita ou da esquerda.

    Seu contraponto na vida é o irmão mais velho, o carismático Manrico (Riccardo Scamarcio), operário batalhador pelas causas comunistas, tido como exemplo pelos pais, galanteador e ainda por cima namorado oficial da bela Francesca (Diane Fleri). De certa forma, Accio cresce tendo como modelo o irmão Manrico. Modelo a ser negado e combatido.

    Além de comicidade, conflitos familiares e discussão política, há também um tom melancólico no filme. Teria tudo sido em vão? Todos os hematomas trocados entre fascistas e comunistas, todas as bandeiras queimadas, tudo teria degringolado na sociedade ideologicamente esvaziada de hoje? Meu Irmão é Filho Único não se propõe a responder a estas perguntas. Ele apenas expõe o ridículo dos extremismos, os perigos da intolerância, tudo dentro da tradicional narrativa poética que tanto marcou o cinema italiano do pós-guerra, que tanto encantou as platéias através do estilo neo-realista dos anos 40.

    O filme foi indicado a nove prêmios David di Donatello ("o Oscar italiano") e levou quatro: Ator (Germano), Roteiro, Montagem e Atriz Coadjuvante para a veterana Angela Finocchiaro, no papel da mãe de Accio.

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