MEU MELHOR INIMIGO

MEU MELHOR INIMIGO

(Mein Liebster Feind)

1999 , 98 MIN.

14 anos

Gênero: Documentário

Estréia:

página inicial do filme
  • Ficha técnica

    Direção

    • Werner Herzog

    Equipe técnica

    Roteiro: Werner Herzog

    Produção: Lucki Stipetic

    Fotografia: Peter Zeitlinger

    Estúdio: Werner Herzog Filmproduktion

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    Existem brigas clássicas na história do cinema. As de mentirinha, como Darth Vader contra Luke Skywalker, e as de verdade, como Werner Herzog contra Klaus Kinski.
    Para quem ainda não acompanhava o mundo do cinema nos anos 70 e 80, vale uma explicação: durante 16 anos, o aclamado cineasta alemão Werner Herzog e o conhecido ator polonês Klaus Kinski nutriram uma doentia relação de amor e ódio entre si. Herzog contratava Kinski para seus filmes mais importantes. O ator, temperamental, tinha violentos ataques de ira e estrelismo durante as filmagens. Um quase matava o outro. Mesmo assim, os dois sempre voltavam a trabalhar juntos em projetos seguintes.

    A loucura se iniciou em 1972, quando Herzog contratou Kinski para o papel título de Aguirre, A Cólera dos Deuses e se perpetuou até 1988, ano de produção de Cobra Verde, o último filme que uniria os dois “amigos inimigos” (Klaus morreria três anos depois). Por que ambos quase se matavam, mas não abriam mão de trabalhar juntos, é o que tenta explicar o documentário Meu Melhor Inimigo, dirigido pelo próprio Herzog, há dois anos, que chega neste final de semana aos nossos cinemas.

    Para quem curtiu aquela época, o filme traz imagens memoráveis. Mostra Kinski aos berros com um diretor de produção, depoimentos de um extra que quase foi baleado pelo ator enfurecido, um espetacular acidente durante as filmagens de Fitzcarraldo e outros empolgantes segredos de bastidores.

    É de Fitzcarraldo, por sinal, o momento mais curioso do documentário: uma cena rara em que o recém-falecido Jason Robards interpreta o papel título do filme. Com ele, contracena o roqueiro Mick Jagger, que na ocasião fazia uma participação secundária no mesmo filme. Na verdade, Robards e Jagger foram contratados para atuar em Fitzcarraldo, mas, após alguns dias de filmagens, Robards adoeceu e foi substituído por Kinski, enquanto Jagger saiu do projeto. Fitzcarraldo ficou internacionalmente famoso com Kinski no papel título, mas Herzog conservou as imagens antigas, exibindo-as agora em seu documentário.

    É por estas e outras preciosidades que Meu Melhor Inimigo é um filme obrigatório para os fãs de cinema. Mesmo sendo um documentário com poucas chances de ser imparcial – já que foi escrito e dirigido por uma das partes envolvidas –, sem dúvida, merece ser conferido.

    Meu Melhor Inimigo ganhou o Prêmio do Público como o Melhor Documentário da 23ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.

    6 de fevereiro de 2001
    ____________________________________________
    Celso Sabadin é jornalista especializado em cinema desde 1980. Atualmente é crítico de cinema da Rede Bandeirantes de Rádio e Televisão e do Canal 21. Às sextas-feiras é colunista do Cineclick. [email protected]

Deixe seu comentário
comments powered by Disqus