Pôster de Meu Passado Me Condena

MEU PASSADO ME CONDENA

(Meu Passado me Condena)

2013 , 102 MIN.

12 anos

Gênero: Comédia

Estréia: 25/10/2013

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Julia Rezende

    Equipe técnica

    Roteiro: Tati Bernardi

    Produção: Mariza Leão

    Estúdio: Globo Filmes

    Distribuidora: Downtown Filmes, Paris Filmes, RioFilme

    Elenco

    Alejandro Claveux, Elke Maravilha, Fábio Porchat, Inez Viana, Juliana Didone, Marcelo Valle, Mía Mello, Rafael Queiroga, Stepan Nercessian

  • Crítica

    23/10/2013 21h00

    Quem vai ao cinema quer ver uma história se desenrolar na tela. E quem escolhe uma comédia romântica está atrás de diversão descompromissada. Se o espectador deseja e o filme consegue fazer com que se divirta por algum tempo, esqueça seus problemas cotidianos e saia da sala de espírito elevado, alcançou seus objetivos.

    Nesse sentido, quem for ao cinema ver Meu Passado me Condena não vai se frustrar. O longa foge da estrutura de esquetes e desenvolve uma trama que não depende do talento individual deste ou daquele. O enredo é bem construído, os eventos se encaixam numa sequência lógica de causa e efeito e quase não há furos.

    Se é engraçada? Essa é a resposta que todo leitor quer saber de imediato quando lê a crítica de uma comédia. Questionamento difícil de responder já que depende de critérios meramente subjetivos, afinal, o que não me faz rir pode levar o outro à gargalhada.

    Subjetivamente posso dizer que o humor funciona, sim, na maioria das vezes. Objetivamente, agora embasado por critérios racionais, avalio que a direção da estreante em longa-metragem Júlia Resende desperdiça o potencial cômico de algumas sequências.

    O texto da roteirista Tati Bernadi tem boas sacadas humorísticas. Imagine, por exemplo, dois amigos sem noção, bêbados, participando de um baile à fantasia num transatlântico e confundindo o capitão do navio com um fantasiado. Ou, então, a mesma dupla entrando de penetra (e de gaiato) numa despedida de solteiro gay sem saber.

    São duas boas situações que dependiam do trabalho da diretora, num primeiro momento, e da montagem posteriormente para valorizar a força cômica da ideia. Faltou perícia para que o humor viesse à tona com máxima potência. As sequências mencionadas são conduzidas de forma rápida e desconstroem o tempo cômico, subaproveitando texto e atores.

    O filme é estrelado por Fábio Porchat (Vai que dá Certo) e Miá Mello. Eles são eles mesmos, até no nome. Não se pode dizer que dão vida a personagens. Como a dupla é naturalmente carismática, tudo funciona. Mas não dá pra falar em interpretação. Inconsequentes, casam-se mesmo se conhecendo há apenas um mês. Para selar a união resolvem passar a lua de mel num luxuoso transatlântico que parte do Brasil rumo à Europa.

    O conflito não demorar a surgir. No navio o casal encontra o bem-sucedido Beto (Alejandro Claveaux), ex-namorado de Miá, que está casado com a bela Laura (Juliana Didone), antiga paixão de Fábio. Como é de se esperar, a coincidência dá margem a todo tipo de confusão e situações cômicas.

    Há ainda um terceiro casal (ou ex-casal), tripulantes do transatlântico, vivido pelos atores Marcelo Valle e Inez Viana, responsável por bons momentos cômicos da trama com suas tramoias para faturar um troco em cima dos passageiros. O roteiro sabiamente abriu espaço para o elenco de apoio, algo essencial para um filme do gênero funcionar.

    Meu Passado me Condena acerta também ao conseguir algo raro em comédias românticas: deixar o espectador em dúvida sobre os rumos dos personagens. Como eles chegarão ao final da trama não é tão óbvio quanto parece, mesmo que saibamos que o gênero pede, invariavelmente, um final feliz.

    Especular sobre o que um filme poderia ter sido é tolice. O filme é o que vemos na tela. Mas é inegável que faltou à direção de Júlia Resende um olhar mais apurado sobre as cenas, tanto cômicas como românticas. Sua câmera nem sempre estava posicionada no melhor lugar para extrair as duas principais emoções do filme: humor e amor.

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