MEUS DOIS AMORES

MEUS DOIS AMORES

(Meus Dois Amores)

2012 , 86 MIN.

12 anos

Gênero: Comédia

Estréia: 19/03/2015

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Luiz Henrique Rios

    Equipe técnica

    Roteiro: José Carvalho

    Produção: Diler Trindade

    Fotografia: Roberto Amadeo

    Estúdio: Diler Produções, Globo Filmes

    Distribuidora: Downtown Filmes, Paris Filmes, RioFilme

    Elenco

    Alexandre Borges, Ana Lúcia Torre, Ana Rios, Caio Blat, Carol Aguiar, Clara Servejo, Fabiana Karla, Guilherme Weber, Julio Adrião, Lima Duarte, Lucas Oradovschi, Marcello Escorel, Marcio Ehrlich, Maria Flor, Marina Vianna, Milton Gonçalves, Vera Holtz, Xando Graça

  • Crítica

    18/03/2015 17h40

    Guimarães Rosa, de fato, foi um dos escritores mais importantes do Brasil, principalmente por trazer em suas histórias inovações de linguagem, marcadas por expressões populares e regionais, e também por fazer um retrato fiel do sertão brasileiro.

    Baseado no conto Corpo Fechado, presente no livro Sagarana, o filme Meus Dois Amores, do estreante diretor Luiz Henrique Rios, retrata o regionalismo mineiro que o escritor descreve em seus textos, mas está longe de ser algo inovador e revolucionário. Pelo contrário, o longa não consegue aproveitar todos os elementos do escritor e tropeça nos clássicos clichês apresentados por quase todas as comédias brasileiras.

    Na história, Manuel (Caio Blat) é um vaqueiro humilde que tem o coração dividido entre a noiva Das Dô (Maria Flor) e a mula Beija-fulô. O fato é que isso não entra na cabeça da moça, que tem um ciúme danado do bicho. No entanto, ela percebe que, para ter o coração do noivo, terá de aceitar que o animal faça parte de sua vida.

    Essa situação começa a mudar quando o matador Targino (Alexandre Borges) chega na cidade atrás de um cavalo. Metido a esperto, Manuel vende um animal ruim ao forasteiro. Depois de perceber que foi enganado, o vilão retorna ao vilarejo e, para se vingar do vaqueiro, sequestra Das Dô. Para salvar sua noiva, o jovem caipira precisa se desfazer do seu querido bicho de estimação, além de recorrer aos feitiços de Toniquinho das Pedras (Julio Adrião) para se proteger do perigoso bandido.

    O fato de manter o regionalismo retratado na literatura é bom, pois mantém um pouco da essência da obra original. O filme chega a fazer pequenas referências a outras histórias de Guimarães Rosa. A mula Beija-fulô, por exemplo, que está há muitos anos ao lado de Manuel, lembra a experiência de Sete de Ouros, de O Burrinho Pedrês, que traz a história de um animal velho que presencia um trágico acidente.

    Em contrapartida, isso não é suficiente para segurar totalmente o tom da trama, que até tem bons atores, mas que se transforma em um atropelamento de fatos, com diálogos desnecessários. O que se vê, na verdade, é uma preocupação excessiva de mostrar um cenário rural humilde ao invés de aprofundar os principais personagens e seus dilemas. Infelizmente, isso desconecta o espectador e prejudica demais a premissa, que é boa originalmente.

    Para compensar, o elenco é talentoso e se demonstra seguro nas atuações, principalmente na hora de falar com um sotaque bem carregado, típico do interior de Minas Gerais. Caio Blat, por exemplo, se apoia ao velho Mazzaropi, que ficou conhecido por fazer um humor regional em diversos filmes. Na figura do protagonista, vemos semelhanças com o antigo humorista, principalmente no jeito caipira de ser, algo que caiu bem para o personagem principal.

    Com apenas alguns elementos da obra de Guimarães Rosa, Meus Dois Amores não parece uma adaptação de uma das grandes histórias do escritor mineiro, pois fica preso demais ao regionalismo e não se aprofunda no extenso universo criado por ele. Isso é ruim pois, assim, o filme se transforma em algo normal, com os clássicos problemas da comédia brasileira.

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