MICHAEL KOHLHAAS

MICHAEL KOHLHAAS – JUSTIÇA E HONRA -

(Michael Kohlhaas)

2013 , 122 MIN.

12 anos

Gênero: Drama

Estréia: 04/12/2014

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Arnaud des Pallières

    Equipe técnica

    Roteiro: Arnaud des Pallières, Christelle Berthevas

    Produção: Serge Lalou

    Fotografia: Adrien Debackere, Jeanne Lapoirie

    Trilha Sonora: Martin Wheeler, The Witches

    Estúdio: Hérodiade See, Les Films d'Ici, Looks Filmproduktionen

    Montador: Arnaud des Pallières, Sandie Bompar

    Distribuidora: H2O Filmes

    Elenco

    Amira Casar, Bastien Ughetto, Bernard Chevreul, Bruno Ganz, Christian Chaussex, Claude Funkiewiez, Cyril Champon, Damien Rigaud, David Bennent, David Kross, Delphine Chuillot, Denis Lavant, Franck Contenti, Guillaume Delaunay, Jacques Nolot, Jean-Louis Coulloc'h, Laina Cuguen, Laurent Delbecque, Mads Mikkelsen, Mélusine Mayance, Monique Roussel, Nicolas Capelle, Nicolas Oton, Paul Bartel, Raynaldo Houy, Richard Capelle, Roxane Duran, Sergi López, Seth Sobopko, Stéphane Gatinet, Swann Arlaud, Victor Druet, Yves Bove

  • Crítica

    03/12/2014 17h41

    Por Daniel Reininger

    Justiça e vingança são as bases de Michael Kohlhaas, adaptação de Arnaud des Pallières do romance de Heinrich von Kleist sobre um comerciante de cavalos, do século XVI, que decide ir à Guerra após abusos da nobreza. A linguagem direta e a narrativa dinâmica de Kleist são deixadas de lado por uma obra interessada mais no estilo do que na história potencialmente poderosa. Como consequência, até mesmo o ótimo Mads Mikkelsen deixa a desejar no papel título, propositalmente sem expressão e frio, o personagem nunca cria empatia e se torna uma das intepretações menos impactantes do ator dinamarquês.

    Kleist foi um autor com forte inclinação política e, em 1808, usou o conto como forma de crítica à sede de Napoleão pela conquista da Europa. Apesar do tema promissor, o diretor francês se interessa mais pela paisagem do que pela história e perde a oportunidade de relacionar o tema com assuntos contemporâneos. Para piorar, ele cria Kohlhaas com um irritante ar superior que não funciona bem para as intenções do filme.

    Na trama, o comerciante é surpreendido por um pedágio colocado em seu caminho habitual para o mercado de cavalos. O barão local (Swann Arlaud) afirma ter permissão da rainha e exige que Kohlhaas deixe com seus homens, retratados com cicatrizes e pouca educação para deixar claro sua maldade, dois corcéis caríssimos como garantia, afinal ele não tem documentos que permitam a passagem.

    Na cidade, Kohlhaas descobre que foi enganado, seus cavalos maltratados e que seu amigo, Cesar (David Bennent), que ficou para trás para cuidar dos animais, foi deliberadamente atacado pelos cães de guarda do barão. O protagonista vai à justiça, o barão usa sua influencia para vencer o caso e, quando sua esposa decide apelar para a rainha, é brutalmente assassinada. É hora de ir para a guerra.

    Diferente do livro original, Kohlhaas parece um homem confuso, cego pela ganancia que por não aceitar a perda de dois cavalos, causa a morte da própria mulher. Tudo por questões financeiras mesquinhas. Honra e justiça, questões que deveriam ser centrais, ficam em segundo plano e o impacto de seu movimento rebelde já é diminuido antes mesmo de começar. A situação, por mais bizarro que pareça, lembra os protestos de junho de 2013, quando todos juravam que as inquietações não eram pelo valor das passagens de ônibus mas, no final das contas, pouco se conseguiu além da redução dos 20 centavos. Tudo que Kohlhaas parece querer são seus cavalos, embora não admita isso a si mesmo.

    Ao ambientar a história na França e não na Alemanha, Pallières precisou fazer algumas alterações no texto, como a mudança da participação do teólogo Martinho Lutero. Essa mudança não chega a causar problemas graves, apesar de deixar algumas questões sem sentido. A decisão se justifica visualmente, afinal a região da Cevenas, onde o longa é filmado, é, sem dúvida, espetacular. O uso de luz natural traz tonalidades sombrias ao local e a luz solar cria efeitos de sombra interessantes nos rostos dos personagens, além de reforçar a paisagem natural. Nas raras cenas de interiores, a escuridão domina.

    Uma bela cena de batalha, filmada do topo de uma colina, poderia ser o ponto alto do filme, e é visualmente, mas a edição de som atrapalha ao manter o sopro do vento constante e num volume desnecessário. Na verdade, toda a parte sonora é problemática, exagera a mão em efeitos que competem com diálogos e na música constante e opressiva, a ponto de causar o efeito contrário do que deveria.

    Michael Kohlhaas sofre ainda com a falta de coesão narrativa, consequência da mudança do conceito da obra original e da exclusão de temas importantes, como a divisão entre protestantes e católicos. Além disso, a montagem é problemática, preocupada demais em estilizar a história, deixa o filme arrastado sem necessidade. O longa tem sim momentos interessantes e Mikkelsen, mesmo longe de sua melhor performance, é um grande ator que sabe ser genial quando tem a oportunidade, como acontece na impactante, e quase redentora, cena final.

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