MILAGRE EM STA. ANNA

MILAGRE EM STA. ANNA

(Miracle at St. Anna)

2008 , 160 MIN.

16 anos

Gênero: Drama

Estréia: 30/04/2009

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Spike Lee

    Equipe técnica

    Roteiro: James McBride

    Produção: Luigi Musini, Roberto Cicutto, Spike Lee

    Fotografia: Matthew Libatique

    Trilha Sonora: Terence Blanchard

    Estúdio: Touchstone Pictures

    Elenco

    Derek Luke, John Leguizamo, John Turturro, Joseph Gordon-Levitt, Laz Alonso, Matteo Sciabordi, Michael Ealy, Omar Benson Miller, Pierfrancesco Favino, Valentina Cervi

  • Crítica

    30/04/2009 00h00

    Se o sentimento de teoria da conspiração é o que motiva, em geral, as produções de Oliver Stone, no caso de Spike Lee é o sentimento de urgência em falar das "minorias", especialmente os negros. Essa urgência fez com que ele respondesse a Grifith com o curta The Answer (1980), mostrasse o cotidiano do Brooklyn em Faça a Coisa Certa (1989) ou dirigisse o videoclipe de They Don't Care About Us, a canção mais politizada de Michael Jackson.

    Esse sentimento de urgência mantém-se vivo em seu novo filme. Milagre em Sta. Anna é sobre guerra, especificamente sobre um episódio ocorrido nos últimos capítulos da Segunda Guerra Mundial, envolvendo os Buffalo Soldiers, como eram conhecidos os militares negros, utilizados como "bucha de canhão" em um Estados Unidos segregado.

    Abordar os horrores da guerra não é nenhuma novidade no cinema. Recentemente tivemos os irmãos gêmeos Cartas de Iwo Jima e A Conquista da Honra, de Clint Eastwood - acusado por Lee de excluir a participação dos negros na campanha do Monte Suribachi. O longa de Lee tem três princípios que o tornam interessante e distintos no cinema.

    O primeiro é abordar um específico episódio (o acuamento de soldados negros na Itália) dentro de um grande acontecimento (Segunda Guerra Mundial). Escolha que busca manter viva na memória do espectador as nuances de algumas verdades históricas, como recentemente fizera Adrzej Wajda em Katyn, que propõe rever a mesma Segunda Guerra, mas na frente nazi-socialista.

    O segundo também trabalha no registro micro-macro. Os cinco buffalo soldiers da 92ª Divisão de Infantaria, que combateu na Itália, são negros que lutam pelos Estados Unidos. Por que eles estão sempre na linha de frente? A nação pela qual lutam realmente os trata como homens livres? Um deles sobrevive e conta ao espectador a sua história, entrelaçando o que se passou em 1944 e os desdobramentos de quarenta anos depois, em parte conhecidos pelo espectador.

    O terceiro - e mais interessante - é a camada onírica. Lee flerta ora com o realismo, ora com o anti-realismo. Investe na fantasia ao mostrar o garoto Ângelo (Matteo Sciabordi) como o único que realmente deve ser preservado das matanças. Quando poderia passar da conta no realismo e transformar Milagre em Sta. Anna em um filme de ação com o subtexto da guerra, Lee empurra o filme para a ironia e para um sentimento de humanismo.

    Ora somos tomados pelo suspense, outras pela dor. Ora nos indignamos com uma traição, em outros momentos nos emocionamos com a capacidade de abstração de um soldado. Isso porque a trama principal envolve os milicos negros, mas o roteiro de James McBride (que também é autor do livro que inspira o filme) traz outras subtramas.

    O mérito de transitar esses gêneros, tomando todo o cuidado em criar a ambientação necessária a nós, os espectadores, é de Lee. Tantas coisas acontecem em Milagre em Sta. Anna que se torna muito difícil nos desconectar nas mais de duas horas de projeção. Lee mostra que ainda tem muitos recursos artísticos e coloca um ponto de interrogação positivo sobre o que estará por vir na carreira do combativo, e controverso, cineasta.

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