MINHAS MÃES E MEU PAI

MINHAS MÃES E MEU PAI

(The Kids Are All Right)

2010 , 104 MIN.

16 anos

Gênero: Comédia

Estréia: 12/11/2010

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Lisa Cholodenko

    Equipe técnica

    Roteiro: Lisa Cholodenko, Stuart Blumberg

    Produção: Celine Rattray, Daniela Taplin Lundberg, Gary Gilbert, Jeffrey Levy-Hinte, Jordan Horowitz

    Fotografia: Igor Jadue-Lillo

    Trilha Sonora: Craig Wedren, Nathan Larson

    Estúdio: Mandalay Vision

    Distribuidora: Imagem Filmes

    Elenco

    Amy Grabow, Annette Bening, Eddie Hassell, Joaquín Garrido, Joseph Stephens Jr, Josh Hutcherson, Julianne Moore, Kunal Sharma, Mark Ruffalo, Mia Wasikowska, Rebecca Lawrence, Yaya DaCosta

  • Crítica

    11/11/2010 12h41

    Minhas Mães e Meu Pai é um filme a causar dor de cabeça para qualquer crítico. Não por ser “complicado”, “difícil”, “não-linear” ou ter qualquer aspecto da forma que exija dedicação. Pelo contrário, trata-se de uma simples comédia sobre um casal lésbico, Nic (Annette Benning) e Jules (Julianne Moore), que encontra o doador de esperma (Mark Ruffalo) para seus dois filhos após 18 anos.

    Então, qual é o enrosco? Ser acusado de homofóbico ou, numa leitura mais psicológica, um espectador castrado que só admite ver a representação cinematográfica de um casal gay se terminar em desastre, morte ou infelicidade. Ou, do outro lado da trincheira, acusado de condescendente por se tratar de uma produção que traz outra visão sobre uma “minoria”. Só que falta profundidade e um pouco mais de ambição a Minhas Mães e Meu Pai.

    Os personagens são planos e feitos em cima de convenções que já vimos em outros tantos filmes: casal estável remexido por um elemento externo, traição como acidente e a culpa posterior, filhos rebeldes que querem independência, oposição de características do casal, a redenção para os erros de todos na família. Além disso, os acontecimentos da história são mais que óbvios e, por opção de montagem, fica mais que claro como Paul, pai/doador de esperma, vai interferir na vida da família.

    Temos em Minhas Mães e Meu Pai uma sequência de obviedades bem contadas. Porém, o que mais incomoda é a aura de filme-tese dada pela história escrita por Lisa Cholodenko (que também assina a direção) e Stuart Blumberg: precisa-se demonstrar a cada pico dramático que uma família gay tem problemas assim como uma família composta por um pai e uma mãe, ou seja, reforçar seu caráter de normalidade numa sociedade que nega a reconhecer isso.

    Com isso, transforma-se em uma produção com função cidadã: massageia a auto-estima dos homossexuais, carentes em ver uma representação que não os condene ao status de minoria, e mostra aos heterossexuais conservadores que, como diriam os Mamonas Assassinas, “gay também é gente”.

    Filmes como Minhas Mães e Meu Pai, Baby Love ou De Repente, Califórnia parecem acreditar que é suficiente apenas cumprir a função militante de provar para o mundo que um grupo social discriminado é tão normal e merecedor de respeito quanto qualquer outro. Felizmente existem C.R.A.Z.Y. – Loucos de Amor ou O Homem que Amou Yngve, filmes que abrem as portas do diálogo, mas levam as complexidades do ser humano muito mais a sério.

    Minhas Mães e Meu Pai tem uma função mais social e cidadã do que cinematográfica. Vamos imaginar uma situação: em vez de um casal lésbico abalado por um quarentão, temos um casal heterossexual abalado por uma mulher que aparece repentinamente. Teríamos uma tradicional história de triângulo amoroso com poucas nuances, à maneira que já assistimos dezenas de vezes em outros filmes.

    Como não é, Minhas Mães e Meu Pai está aí para mostrar aos que ainda não conseguiram abrir os olhos: os gays riem, choram e sofrem como qualquer outro ser humano. Simples assim. Como filme, deixa a desejar.

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