MINORITY REPORT - A NOVA LEI

MINORITY REPORT - A NOVA LEI

(Minority Report)

2002 , 145 MIN.

14 anos

Gênero: Ficção Científica

Estréia: 02/08/2002

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Steven Spielberg

    Equipe técnica

    Roteiro: Frank Darabont, Gary Goldman, John August, Jon Cohen, Ronald Shusett, Scott Frank

    Produção: Bonnie Curtis, Gerald R. Molen

    Fotografia: Janusz Kaminski

    Trilha Sonora: John Williams

    Estúdio: 20th Century Fox Home Entertainment, Amblin Entertainment, Blue Tulip, Cruise/Wagner Productions, DreamWorks SKG, Ronald Shusett/Gary Goldman

    Distribuidora: Fox Film

    Elenco

    Colin Farrell, Kathryn Morris, Max von Sydow, Peter Stormare, Samantha Morton, Tom Cruise

  • Crítica

    02/08/2002 00h00

    Steven Spielberg conseguiu outra vez. Juntou em seu caldeirão mágico aventura, suspense, ficção científica, uma perfeita noção de timming cinematográfico e engatilhou mais um ótimo filme: Minority Report – A Nova Lei. Mas é claro que o mérito não é apenas do genial cineasta de E.T. – O Extraterrestre. Uma gigantesca parte das qualidades de Minority Report – A Nova Lei deve ser creditada ao escritor Phillip K. Dick, autor dos contos que originaram não apenas este filme como também outras duas ficções científicas obrigatórias do cinema: Blade Runner e O Vingador do Futuro. Foi a partir da obra de Dick que os roteiristas Scott Frank (de O Nome do Jogo) e Joe Cohen (estreante em roteiros para cinema) desenvolveram a base para Spielberg delirar em quase três emocionantes horas de ação e futurismo.

    A empolgante cena inicial já conquista o espectador logo de início. Em poucos e envolventes minutos, fica-se sabendo que, no futuro alguns crimes poderão ser previstos. Uma unidade especial chamada de “Pré-Crime” utiliza uma tecnologia biovirtual onde três “PreCogs” (pessoas altamente sensitivas) projetam imagens de assassinatos que ainda vão acontecer. A polícia chega a tempo de prender o criminoso antes mesmo que o delito aconteça. Contudo, a sociedade da época se divide: esse tipo de prisão é legal? É lícito incriminar alguém apenas pela sua intenção? O sistema está sendo testado com sucesso total apenas em Washington, e há pressões para que ele seja estendido por todo o país, o que eliminaria os assassinatos nos Estados Unidos.

    Ótima idéia para um filme, sem dúvida. Mas é bom alertar que existe, sim, um belo punhado de clichês bem conhecidos em Minority Report – A Nova Lei. Entre eles, a do melhor agente da polícia que se transforma em fugitivo por causa de um crime que ele teoricamente não cometeu (elemento típico dos antigos filmes noir dos anos 40), a da simpática velhinha sábia que tem todas as respostas mas não conta pra ninguém porque nunca ninguém perguntou (com maiores ou menores variações, é outro elemento chave dos filmes policiais), a do policial amargurado pela perda da família, e mesmo a revelação final do grande criminoso não chega a ser exatamente uma surpresa. Nada disso, porém, tira o prazer de se assistir ao filme. A trama é inteligente, bem amarrada e repleta de intrigantes paradoxos. A fotografia do polonês Janusz Kaminski (o mesmo de A Lista de Schindler) usa tonalidades frias e azuis, conferindo a Minority Report uma atmosfera onírica, levemente delirante. E a superprodução de US$ 102 milhões é de encher os olhos.

    É divertido também “caçar” as inúmeras brincadeiras cinematográficas espalhadas pelo filme. Os “PreCogs”, por exemplo, são chamados Agatha, Arthur e Dashiell, uma clara homenagem a três dos maiores escritores policiais de todos os tempos: Agatha Christie, Arthur Conan Doyle e Dashiell Hammett. Há várias referências a Stanley Kubrick (o uso da música clássica na trilha sonora, o aparelho que mantém Cruise de olhos abertos igual ao de Laranja Mecânica) e ao próprio Blade Runner (a fotografia ampliada que revela uma mulher refletida no espelho, a implantação de olhos). Os mais minuciosos também podem brincar de caçar participações especiais em rapidíssimas aparições. Entre elas, as dos diretores Paul Thomas Anderson e Cameron Crowe, e a da atriz Cameron Diaz.

    Sem dúvida, Minority Report – A Nova Lei é um filme para ser visto várias vezes.

    1º de agosto de 2002.

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    Celso Sabadin é jornalista e crítico de cinema da Rádio CBN. Às sextas-feiras, é colunista do Cineclick. [email protected]

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