Minutos Atrás

MINUTOS ATRÁS

(Minutos atrás)

2014 , 98 MIN.

14 anos

Gênero: Comédia

Estréia: 20/03/2014

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Caio Sóh

    Equipe técnica

    Roteiro: Caio Sóh

    Produção: Luana Lobo

    Fotografia: Rodrigo Alayete

    Montador: Bruno Regis

    Elenco

    Otávio Muller, Paulo Moska, Vladimir Brichta

  • Crítica

    19/03/2014 16h02

    Um ambiente árido, em preto e branco, no qual três personagens vagam e divagam sobre questões existenciais - esse é o "enredo" de Minutos Atrás. O filme lúdico tem ares de peça de teatro, justamente por ter sido baseado em uma - também concebida pelo diretor e roteirista Caio Sóh - e não deve agradar a quem busca o lugar comum das tramas de sucesso nacional. Traz um experimentalismo interessante, mas oscila ao tentar afirmar essa identidade com insistência.

    Alonso (Vladimir Brichta) e Nildo (Otávio Muller) seguem estrada como uma espécie de Dom Quixote e Sancho Pança. O segundo surge de dentro de uma mala com vestimenta de sacos plástico. Logo percebe-se o ar de sonho que o filme irá tomar.

    Junto, levam Ruminante. Dependendo do olhar, o personagem do compositor Paulinho Moska é um ser humano ou um cavalo, num jogo interessante de perspectiva e câmera. E o percurso dos três dá espaço a muitas teorias: o caminho da vida, do destino, a invisibilidade destes homens em meio à pobreza que os leva facilmente à loucura.

    Se o longa é feliz por tentar um caminho mais experimental, em muitos momentos não soa bem-sucedido com tantas frases de efeito numa tentativa de poesia. As passagens musicais de Moska para amarrar a trama também não funcionam muito bem, deixando a história com ar de fábula infantil. 

    De qualquer forma, as músicas em si (à la Tom Waits) e as pontuações sonoras compostas junto a André Abujamra garantem o clima de criatividade ao longo da travessia rumo ao nada.

    É mérito dos atores conseguir conduzir as quase duas horas de filme. Porém, alguns trejeitos que já vimos nas novelas surgem aqui de forma equivocada para representar esses seres de um universo tão específico e abrangente ao mesmo tempo. 

    Para chamar a atenção do espectador, a voz exaltada dos personagens se destaca em discursos inflamados sobre o eterno ser ou não ser. Essa forma de criar dinâmica é até compreensível dentro de um longa com ritmo lento, onde os atores são a própria história. 

    Em Minutos Atrás, vale notar a simbologia dos trilhos de trem, do próprio cavalo, da pintura do rosto para mudar de persona -, algo que Alonso vai explicando no decorrer do caminho. O contraste entre o fundo preto e branco e as poucas cores também explicita a ideia de vida e morte desde o início, com mais impacto no final.

    Não estamos diante de um filme ruim. Mas a obra, apesar de seu aparente esforço, passa aquela sensação de que seu discurso e ideias já foram elaboradas por outros autores de forma mais eficiente e aprofundada. Aqui, a poesia não passa da superfície.

    De qualquer forma, a tentativa dela está ali e tem seu valor no sentido de ampliar o espaço para novas linguagens no cinema nacional.

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