MISSÃO BABILÔNIA

MISSÃO BABILÔNIA

(Babylon A.D.)

2008 , 93 MIN.

16 anos

Gênero: Ação

Estréia: 19/09/2008

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Mathieu Kassovitz

    Equipe técnica

    Roteiro: Éric Besnard, Joseph Simas, Mathieu Kassovitz

    Produção: Alain Goldman, Mathieu Kassovitz

    Fotografia: Thierry Arbogast

    Trilha Sonora: Atli Örvarsson

    Estúdio: Canal+

    Elenco

    Charlotte Rampling, Gérard Depardieu, Lambert Wilson, Mélanie Thierry, Michelle Yeoh, Vin Diesel

  • Crítica

    19/09/2008 00h00

    Um filme que já estréia nos cinemas sem a aprovação do seu próprio diretor não pode ser bem-visto. No caso, a briga comprada por Mathieu Kassovitz (do excelente O Ódio e do ruim Na Companhia do Medo) contra o estúdio Fox Films, produtor de Missão Babilônia, é falada desde antes da estréia do longa, que nos cinemas norte-americanos faturou somente US$ 20,5 milhões (para se ter uma idéia, o filme custou US$ 60 milhões). O problema entre o diretor francês e os produtores é que ele não teve o corte final do longa.

    Comparando a conclusão de Missão Babilônia a um "final ruim de 24 Horas", Kassovitz pretendia dirigir um longa muito mais fiel ao livro Babylon Babies, livro de ficção científica de Maurice Georges Dantec cultuado na França, mas inédito no mercado editorial brasileiro. No fim, a Fox cortou 70 minutos da versão original de Kassovitz a fim de baixar a censura do filme nos cinemas e diminuir o tempo do filme para 93 minutos. Como resultado da briga entre o diretor e o estúdio, Missão Babilônia não chegou a ser exibido à imprensa especializada norte-americana e quase não ganhou promoção.

    O pouco expressivo astro de filmes de ação Vin Diesel (As Crônicas de Riddick) protagoniza este filme como o mercenário Toorop. Ele recebe uma missão do chefão maldoso Gorsky (Gérard Depardieu, quase irreconhecível sob uma maquiagem que o deixa deformado): levar a jovem Aurora (Mélanie Thierry) e sua guardiã Irmã Rebeka (Michelle Yeoh) do Leste Europeu a Nova York (EUA). Nessa jornada, eles acabam batendo de frente com diversos interesses e pessoas interessadas em colocar suas mãos em Aurora, que, aos poucos, revela ser mais do que uma simples menina bonita.

    A trama de Missão Babilônia tem pinceladas de fanatismo religioso; em alguns momentos, a situação da humanidade num futuro caótico pode até despertar no espectador alguns lampejos de reflexão. No entanto, as intenções não são fortes o bastante para causar algum impacto no filme. Diferentemente dos efeitos especiais, explosões e cenas de ação, predominantes nos 93 minutos de projeção. A direção de arte é interessante: o mundo apocalíptico assemelha-se tanto à realidade árida de filmes como Filhos da Esperança quanto os arranha-céus de Blade Runner - O Caçador de Andróides e a tecnologia do desenho animado Jetsons. No entanto, o merchandising de marcas em mais frames do que o suportável faz com que o filme perca pontos.

    É notável a possibilidade do longa em resultar num épico de ação capaz de fazer o espectador pensar, mas qualquer intenção fica perdida em meio à correria desenfreada na qual se inserem os personagens e as marcas que desfilam na tela. No fim, a produção parece mais um videogame, na qual os heróis têm de passar de fases para conseguir salvar o mundo no final.

    Depois deste resultado catastrófico na experiência de Kassovitz um grande estúdio, o que esperamos é que o diretor francês volte a fazer um filme independente que tenha o peso de O Ódio (1995).

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