MISTRESS AMERICA

MISTRESS AMERICA

(Mistress America)

2015 , 84 MIN.

14 anos

Gênero: Comédia

Estréia: 19/11/2015

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Noah Baumbach

    Equipe técnica

    Roteiro: Greta Gerwig, Noah Baumbach

    Produção: Lila Yacoub, Noah Baumbach, Rodrigo Teixeira

    Fotografia: Sam Levy

    Trilha Sonora: Britta Phillips, Dean Wareham

    Estúdio: RT Features

    Montador: Jennifer Lame

    Distribuidora: Vitrine Filmes

    Elenco

    Andrea Chen, Charlie Gillette, Cindy Cheung, Greta Gerwig, Heather Lind, Jasmine Cephas Jones, Joel Marsh Garland, Juliet Brett, Kathryn Erbe, Lola Kirke, Michael Chernus, Rebecca Henderson, Rebecca Naomi Jones, Seth Barrish, Shana Dowdeswell

  • Crítica

    18/11/2015 14h09

    Ao acompanhar a filmografia de um diretor, é possível apontar elementos em comum e deduzir alguns pontos de sua personalidade. Com Mistress America, é perceptível o passado e o futuro profissionais de Noah Baumbach (Enquanto Somos Jovens), tanto nos temas de seus roteiros, quanto nas parcerias que ele procura ou o público que atinge com essas combinações.

    A protagonista do longa é Tracy (Lola Kirke, de Garota Exemplar), uma universitária em Nova York, um exemplo da base mais jovem da plateia do diretor. Na metrópole, ela entra em contato com Brooke (Greta Gerwig, de O Último Ato), uma mulher na casa dos 30 com um monte de projetos no ar, mas nada realmente concreto. Ela representa a camada mais madura do público de Baumbach.

    O que une as duas personagens é uma conjunção familiar inusitada: em breve, a mãe de Tracy (Kathryn Erbe, de Ecos Do Além)  irá se casar com o pai de Brooke. A aproximação causará grande impacto na mulher mais jovem, que admira o jeito despojado e cheio de segurança de sua nova parceira. O que ela não sabe é que toda essa atitude é apenas uma fachada para uma pessoa perdida e sem objetivos claros, um exemplo do jogo de aparências que Noah gosta de denunciar em sua obra.

    Portanto, há fortes semelhanças entre Brooke e a personagem-título de Frances Ha (2012), que também é vivida por Greta Gerwig em outro roteiro assinado pela atriz e o diretor. Essas mulheres mostram muito bem os dilemas de toda uma geração que sabe exatamente o que não quer da vida, mas não consegue decidir qual caminho seguir.

    Essa geração não sabe lidar com esse conflito publicamente e vende nas redes sociais uma imagem triunfante na esperança de se igualar a seus conhecidos. O que ninguém sabe é que todos estão igualmente perdidos, cegos por esse jogo de aparências que se transforma em uma bola de neve de falsidades.

    Além da identificação nas personagens, a conquista do público se dá por diálogos bem compostos, temperados com algumas falas surpreendentes e quase fora de contexto, que garantem a dinâmica da narrativa. A modernidade do roteiro cai como uma luva nos anseios da plateia hipster que acompanha a carreira do cineasta.

    Outro ponto positivo está nos personagens secundários, figuras criativas que expandem o panorama social do enredo. Há Tony, amigo de Tracy com quem a moça parece dividir uma tensão sexual que não vai em frente. Do outro lado, há Mamie-Claire (Heather Lind, de Boardwalk Empire), arqui-inimiga de Brooke com uma vida de sonhos, mas que se sente ameaçada com a presença da rival.

    Nem tudo está correto em Mistress America. A trilha original é um passo de exagero na atmosfera indie do longa. A impressão que fica é que a música quer desesperadamente se fazer presente, mas incomoda mais do que colabora. Felizmente, a seleção de canções incidentais é mais feliz.

    Assim, Baumbach reúne uma série de ingredientes que manterá sua base de fãs satisfeita. Seus temas são os mesmos, mas a pertinência deles garante que essa repetição não seja um ponto negativo em seu trabalho mais recente.

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