MOACIR ARTE BRUTA

MOACIR ARTE BRUTA

(Moacir Arte Bruta)

2005 , 72 MIN.

anos

Gênero: Documentário

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Walter Carvalho

    Equipe técnica

    Roteiro: Walter Carvalho

    Produção: Eliana Soárez, Marcello Maia

    Fotografia: Lula Carvalho

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    O paraibano Walter Carvalho é reconhecido nacional e internacionalmente pelo seu exuberante trabalho como diretor de fotografia em grandes filmes brasileiros. Entre eles, Central do Brasil, Abril Despedaçado, Amarelo Manga, Carandiru, Crime Delicado e A Máquina, só para citar alguns exemplos mais recentes. Nem todos conhecem o Walter diretor, função que exerceu em parceria com João Jardim no ótimo documentário Janela da Alma (2001) e com Sandra Werneck no sucesso Cazuza - o Tempo Não Pára (2004).

    Agora, com a estréia de Moacir Arte Bruta, chega finalmente às nossas telas (ainda que em circuito bem restrito), o Walter Carvalho diretor. E mais: diretor em vôo solo. Moacir Arte Bruta é o registro documental de um artista praticamente anônimo, um homem negro, pobre, que carrega problemas de audição, fala e formação óssea. Um pintor que as galerias classificariam como "naïf", ou "art brut".

    A figura impressiona. Moacir é uma mistura de Quasímodo, criação de Victor Hugo, com Aleijadinho, criação da vida real. A câmera de Walter Carvalho foi buscá-lo no isolamento de sua pequena casa perdida num canto qualquer da Chapada dos Veadeiros, em Goiás. É ali que ele vive com sua mãe e familiares, sobrevive graças a uma incipiente lavoura, e pinta. Pinta muito. Perdido em seus próprios pensamentos, Moacir passa o dia desenhando e pintando com lápis de cera tudo o que sai sua imaginação intrigante. São desenhos de um universo muito particular que inclui seres humanos, fauna, visões, alucinações, santos, maldições, sexo.

    O filme consegue registrar "dois Moacires". O primeiro, digamos assim, em seu estado natural, é apenas mais um entre os milhões de pobres coitados brasileiros que vivem em condições precárias pelo País afora. O segundo é o artista. Aquele homem de extrema rudeza parece tomado por demônios (ou santos?) quando pega um lápis e começa a desenhar alucinadamente, sem método nem critério. Uma explosão criativa que chega a assustar.

    Walter e sua reduzida equipe ficaram durante sete dias na casa do artista. Tempo que, à primeira vista, pode parecer pequeno, mas que foi grande o suficiente para mostrar, na tela, esta faceta tão conflitante do homem brasileiro. Sofrido e precário de um lado; criativo e genial do outro. De alguma forma, somos todos Moacires.

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