MOFANDO NO SUBÚRBIO

MOFANDO NO SUBÚRBIO

(Lurking in Suburbia)

2004 ,

Gênero: Comédia

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Mitchell Altieri

    Equipe técnica

    Roteiro: Mitchell Altieri

    Produção: Mitchell Altieri, Phil Flores

    Fotografia: Abe Levy

    Trilha Sonora: The Velvet Teen

    Estúdio: Industrial City Films

    Elenco

    Ari Zagaris, Buffy Charlet, Cody Carroll, Joe Egender, Mark Alexander, Samuel Child, Shana Barrett

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    Para uma mulher, chegar à casa dos trinta anos costuma ser dramático. Rugas, família, o possível fracasso batendo a porta, ao lado da temida velhice. Quero dizer, pelo menos é essa a conclusão à qual cheguei ao ver filmes que falam do gênero, uma vez que estou mais perto dos vinte do que dos trinta. Outra coisa que aprendi nos filmes e livros é que com os homens não é diferente. No entanto, essa crise geralmente chega quando o homem percebe que chegou aos trinta, mas sua mentalidade não saiu dos 14 anos.

    Agora, pense: quantos filmes com a premissa acima, seja a masculina ou a feminina, você já viu? Eu vi alguns e é exatamente por isso que eu faço idéia do que significa chegar aos 30. Portanto, o que o cinema menos precisa é de uma comédia com homens ou mulheres trintões cheios de crise. E é exatamente por isso que o independente norte-americano Mofando no Subúrbio, de Mitchell Altieri, é tão dispensável.

    É no aniversário de 30 anos de Connie (Joe Egender) que começa o filme. Enquanto ele comenta os acontecimentos à câmera digital - bem ao estilo de Ferris Bueller de Curtindo a Vida Adoidado fazia -, uma série de personagens caricatos e situações clichês desfilam ao espectador. O yuppie bonito e mulherengo; o homossexual que era o herói do time de futebol americano na época da escola; a ex-namorada que ainda faz o coração do protagonista bater forte; a festa de aniversário em uma casa estilo república universitária; a dupla de strippers contratada para animar a comemoração. Isso sem contar as situações inusitadas (e manjadas) pelas quais nosso herói passa. Para que, no final, ele conclua que chegou a hora de crescer. E não precisa ser um gênio para chegar a essa conclusão.

    Mofando no Subúrbio faz com que o espectador pense sobre a maturidade. Faz com que os homens, em especial, pensem sobre quando e como vão crescer, ter um emprego fixo e uma família. Mas, veja bem, há tantos filmes melhores que fazem o espectador pensar sobre tudo isso que este é somente mais um. Talvez a questão mais interessante que ele aponta (mas não desenvolve) é quando o amigo de Connie, Sean (Samuel Child), comenta que seus pais, quando tinham essa idade, já tinham uma vida adulta, com família e empregos, o que não acontece com eles. Os personagens de Mofando no Subúrbio são pertencentes à "geração X", tão falada na década de 90. Os jovens que se encaixam nesse grupo não têm futuro, objetivos ou mesmo perspectivas, o que não existia na geração passada, dos nossos pais. O que aconteceu, então? Não sei, mas acredito que o diretor e roteirista deste longa também não sabe.

    O sentido do cinema independente, que pode ser produzido hoje em dia com tão poucos recursos financeiros, é oferecer ao público obras que contestem os blockbusters que vemos sempre. Falar cobre um bando de trintões que se comportam como crianças é algo que já foi feito muitas vezes no cinema. Portanto, cabe a um filme independente que se propõe a fazer isso que, no mínimo, faça diferente, o que não é o caso de Mofando no Subúrbio. O longa traz uma idéia desperdiçada que, uma vez plantada na mente do espectador, não dura mais do que três horas. Uma pena.

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