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MOONLIGHT - SOB A LUZ DO LUAR

(Moonlight, 2016)

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06/02/2017 17h10
por Iara Vasconcelos

Em 2014, Boyhood: Da Infância À Juventude surpreendeu ao mostrar o crescimento de um garoto diante dos nossos olhos em um projeto que levou 12 anos para ser concluído. O filme de Richard Linklater conquistou a academia e o público pela sua abordagem singela e realista do que é amadurecer. Hoje, o drama Moonlight - Sob A Luz Do Luar de Barry Jenkins surge com uma proposta semelhante: Acompanhar, em três atos, a evolução de um garoto. Entretanto, a trajetória do último é muito mais árdua e edificante.

Enquanto em Boyhood, o personagem central lidava com complicações típicas de um adolescente americano de classe média, em Moonlight mergulhamos na dura realidade de Liberty City, bairro periférico de Miami dominado pelo tráfico de drogas.

Baseado na peça "In Moonlight Black Boys Look Blue (No Luar, garotos negros ficam azuis)", o filme aborda temas como homossexualidade, racismo e bullying, coroados por belos diálogos e narrativa bem construída. Entretanto, acima de tudo o filme de Barry Jenkins é sobre um garoto que procura entender o seu lugar no mundo.

O longa acompanha Chiron (ou Little) em três fases, infância (Alex Hibbert), adolescência (Ashton Sanders) e vida adulta (Trevante Rhodes). Vítima de um lar disfuncional - sua mãe é usuária de crack e sofre constantes crises de abstinência e seu pai sequer é mencionado - ele é alvo de bullying na escola pelo seu físico franzino e jeito quieto, o que leva os colegas a suspeitarem que ele seja homossexual.

O primeiro contato que temos com Little é bastante expressivo. Enquanto fugia de uma agressão, seu caminho acaba cruzando com o de Juan (Mahershala Ali), um dos traficantes da região.

A figura de Juan é de extrema importância para o amadurecimento do garoto. O traficante e sua namorada Teresa (Janelle Monáe) são as primeiras pessoas a demonstrarem afeto por ele. Na maior parte do tempo, o personagem de Ali age como um mentor e o ensina a superar seus medos e a lidar com sua própria sexualidade.

Os anos passam e as coisas ficam mais difíceis para Chiron. Com sua mãe cada vez mais afetada pelo vício e Juan fora de cena, a situação fica insustentável. As agressões físicas e morais continuam uma constante em sua vida. É nesse ponto em que a trama ganha uma virada radical, que marca a transição do personagem da adolescência para a vida adulta.

Moonlight sofre com alguns problemas mínimos e evitáveis. Como desaparecimento de alguns personagens importantes, como a de Janelle Monáe, sem mais nem menos. Além disso, o filme perde um pouco de sua força no terceiro ato, perdendo a chance de explorar um pouco mais a vida de Chiron na prisão e os motivos que o levaram a mudar tanto.

Quanto às atuações, Alex Hibbert, Ashton Sanders e Trevante Rhodes demonstram boa sintonia e parecem se mesclar perfeitamente. Em nenhum momento, a atuação do trio parece destoar uma da outra, mesmo com os novos contornos ao longo do filme.

Mahershala Ali também demonstra uma atuação competente na pele do traficante Juan, mas é Naomie Harris que rouba a cena. Ela convence no papel de mãe megera e, ao mesmo tempo, desperta empatia pela sua situação como viciada em drogas.

O olhar analítico de Barry Jenkins nos faz descobrir nuances interessantes: Chiron é vítima de diversas opressões justapostas. Apesar de viver em uma comunidade pobre e lidar com o racismo e a violência policial, como a maioria dos jovens negros, é de dentro de sua própria comunidade que partem os ataques homofóbicos que marcaram sua vida. É como um círculo vicioso de violência.

Muitos filmes se dedicam a narrar o crescimento de um personagem, mas poucos conseguem fazê-lo com a mesma sensibilidade e honestidade de Moonlight. Jenkins nos entrega um filme com verdades de sobra e sem apelos emocionais artificiais, nos lembrando de que o cinema não serve apenas como uma válvula de escape, mas também (principalmente) como veículo de reflexão.

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