MOONRISE KINGDOM

MOONRISE KINGDOM

(Moonrise Kingdom)

2012 , 95 MIN.

Gênero: Comédia Dramática

Estréia: 12/10/2012

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Wes Anderson

    Equipe técnica

    Roteiro: Roman Coppola, Wes Anderson

    Produção: Jeremy Dawson, Scott Rudin, Steven M. Rales, Wes Anderson

    Fotografia: Robert D. Yeoman

    Trilha Sonora: Alexandre Desplat

    Estúdio: American Empirical Pictures, Indian Paintbrush, Scott Rudin Productions

    Distribuidora: Universal

    Elenco

    Ada-Nicole Sanger, Adam J. Freeman, Aingealica Venuto, Alecia Batson, Andreas Sheikh, Bill Murray, Bob Balaban, Bruce Willis, Chandler Frantz, Charlie Kilgore, Christopher Alan, Christopher S. Porter, Church Refugee, Cody Flynn, Conor Healy, David Boston, Donna Glee Reim, Dorothea White, Dylan Cataldo, Edward Norton, Frances McDormand, Gabriel Rush, Gary Roscoe, George J. Vezina, Harvey Keite, Jack Hartman, Jake Ryan, James Wilcox, Jared Gilman, Jason Schwartzman, Jodie Brunelle, John Franchi, Jordan Puzzo, Joshua Meehan, Joshua Prevost, Julianne Freeman, Kara Hayward, Krystal Kenville, Kyler Metivie, L.J. Foley, Lindsay MacDonald, Lucas Hedges, Luke Young, Max Derderian, Neal Huff, Richard Meehan, Salvatore Santone, Shawn Fogarty, Tanner Flood, Tilda Swinton, Tommy Nelson

  • Crítica

    08/10/2012 21h43

    Para admirar os filmes de Wes Anderson (de Os Excêntricos Tenenbaums e Três é Demais) é preciso certo desapego à realidade e capacidade de mergulhar sem hesitação em universos que transitam entre o crível e o totalmente surreal. Locais povoados de personagens nonsenses que, muitas vezes, beiram o ridículo, mas que criam identificação imediata com o público por exporem sem disfarces, e muitas vezes de maneira patética, aquilo que escondemos por trás das convenções sociais.

    Neste sentido, Moonrise Kingdom, e sua enternecedora e hilária história de dois adolescentes desajustados que tentam vivenciar um amor impossível, é um típico longa de Anderson. Um filme cativante, principalmente para o público que curte histórias e personagens incomuns. Sua raridade excêntrica, no entanto, é também universalmente atraente e capaz de dialogar mesmo com o público mais afeito a tramas naturalistas e convencionais.

    O divertido - e propositadamente pouco expressivo - casal de protagonistas é formado por Sam Shakusky (Jared Gilman) e Suzy Bishop (Kara Hayward). Eles têm entre 12 e 13 anos e, apesar de seus problemas de inserção social, são confiantes e decididos. Sam é órfão e membro de um grupo de escoteiros no qual tenta encontra o sentido de companheirismo de uma família, no que não tem muito êxito - seus amigos de grupo o ignoram. Suzy é a entediada irmã mais velha de uma família tradicional e, aparentemente, feliz. Ela, no entanto, é triste e prefere ver o mundo através de seus binóculos, uma metáfora da fuga, que a projeta para longe dos limites de sua casa, de onde quer partir depois de descobrir o livreto “Como Lidar com Uma Criança Perturbada”, que seus pais estão lendo. Suzy sabe, ou acredita saber, ser a motivação da leitura.

    Peixes fora d’ água em seus mundos, fogem juntos pelo atraente cartão-postal da ilha de Nova Inglaterra. Passam, então, a ser perseguidos pelos pais da menina (Bill Murray e Frances McDormand), a polícia (representada pelo capitão Sharp, vivido por Bruce Willis) e um grupo de escoteiros mirins para o qual seu hilário líder, Mestre Ward (Edward Norton), tem de avisar que se trata de uma “operação de resgate não-violenta”. Anderson e seu parceiro de roteiro, Roman Coppola, usam o grupo de escoteiros para fazer uma sátira sutil ao militarismo. O filme, por sinal, é pontuado de críticas perspicazes à sociedade moderna, mesmo sendo ambientado na década de 60. A pequena ilha retratada no filme funciona como um microcosmo do mundo, onde muitas de nossas incongruências se evidenciam de forma caricata.

    Durante um bom tempo a produção se detém no jovem casal em fuga e suas descobertas. Os dois atores, ambos estreantes, estão ótimos e têm sintonia cênica perfeita. Os diálogos, por sua vez, são um destaque à parte. Quando se beijam pela primeira vez, numa das muitas sequências impagáveis do filme, ambientada na praia, Sam vira a cabeça e cospe. Em seguida, impassível, garante a Suzy que é só porque tinha areia na boca. Nestes momentos Moonrise Kingdom esquece da sátira e é apenas uma bela evocação do amor jovem e pueril, uma representação da América inocente.

    O filme tem direção de arte distinta e bela, que nos faz mergulhar num tempo e espaço onde seus acontecimentos se tornam críveis a nossos olhos, mesmo com todos seus absurdos. É como se tivéssemos saltando da realidade para um conto de fadas. O lar de Suzy, retratado como uma gigante casa de bonecas, onde a câmera salta de um cômodo ao outro em visão frontal, é o indicador inicial de que estamos em outra dimensão, onde tudo é possível, onde o insensato torna-se aceitável.

    Moonrise Kingdom pode parecer uma esquisitice, e é. Mas também é fato que Wes Anderson consegue, como poucos, dar unidade e dimensão à sua proposta insólita. Sua estranheza em forma de filme, principalmente nos dias de hoje, soa menos exótica que muita tolices pretensamente realistas.


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