MORRO DO CÉU

MORRO DO CÉU

(Morro do Céu)

2009 , 71 MIN.

10 anos

Gênero: Documentário

Estréia: 24/06/2011

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Gustavo Spolidoro

    Equipe técnica

    Roteiro: Bruno Carboni, Gustavo Spolidoro, Patrícia Goulart

    Produção: Gustavo Spolidoro

    Fotografia: Gustavo Spolidoro

    Estúdio: docTV, Gus Gus Cinema

    Distribuidora: Vitrine Filmes

  • Crítica

    22/06/2011 14h27

    Num pequeno vilarejo do Rio Grande do Sul povoado de descendentes italianos, os jovens pensam em sair. Ganhar o mundo, talvez. Romper a barreira, atravessar a deserta ponte, caminhar pela linha de trem que indica um caminho desconhecido. Um desses garotos é Bruno Storti, o principal personagem do filme O Morro do Céu.

    Temos uma interessante encenação que propõe ao documental ser narrado com outras liberdades da ficção. Muito diferente da esterilidade de Amor? e próximo do estimulante intercâmbio dos gêneros em Avenida Brasília Formosa. Em vez de um filme fechado em torno de um tema ou de sua explanação moral, este longa segue o fluxo de juventude do personagem, acompanhando a rotina diária e colocando a câmera quase como uma amiga a interagir na rotina.

    Bruno, que deve ter uns 15 anos, chegou ao final do ano letivo perto da degola. Depois da escola, trabalha como mecânico ao lado de seu irmão. Vai à escola, volta à oficina, ouve a lição de moral dos pais, paquera uma garota que se faz de difícil e se diverte com os amigos.

    O clima de Morro do Céu é aparentemente pacato e nem acontecimento espetacular acontece. Porém, existe uma tênue linha de tensão que se cria durante o filme, suavemente. Afinal, estamos falando de adolescentes com testosteronas explodindo.

    À parte a bem sucedida escolha de travar um diálogo entre o registro documental (pois os personagens são reais) e a encenação ficcional (conta-se a história de um personagem como um enredo de ocorrências divididos em protagonistas e coadjuvantes), o mais interessante no documentário de Gustavo Spolidoro (que já havia experimentado na forma em Ainda Orangotangos) é a iminência de uma eventualidade.

    Morro do Céu é um filme relaxado (no bom sentido da palavra). Bruno, o protagonista, tem os hormônios à flor da pele. Spolidoro percebe isso e traz as descobertas de um adolescente e o permanente clima de paquera para a narração. Aos poucos, o cheiro de testosterona ao redor do filme cresce até tornar-se textura do filme.

    Não há muita preocupação em explicar a cidade, o isolamento, os costumes, a socialização, as relações. Tudo isso é mais leve no filme, quase que acontece por si só. Um olhar que interpreta seu personagem e o cenário e os devolve para o filme, reconstruídos cinematográficos.

    Com frescor, destreza e simpatia, Morro do Céu é um filme com espírito jovem e felizes escolhas.

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