MOSCOU, BÉLGICA

MOSCOU, BÉLGICA

(Aanrijding in Moscou/ Moscow, Belgium)

2008 , 102 MIN.

Gênero: Comédia

Estréia: 24/09/2010

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Christophe Van Rompaey

    Equipe técnica

    Roteiro: Jean-Claude Van Rijckeghem, Pat van Beirs

    Produção: Jean-Claude Van Rijckeghem

    Fotografia: Ruben Impens

    Trilha Sonora: Tuur Florizoone

    Estúdio: A Private View

    Distribuidora: Filmes da Mostra

    Elenco

    Anemone Valcke, Barbara Sarafian, Bob De Moor, Griet van Damme, Jits Van Belle, Johan Heldenbergh, Julian Borsani, Jurgen Delnaet, Sofia Ferri

  • Crítica

    23/09/2010 12h53

    Moscou, Bélgica já começa interessante pelo seu caráter inusitado. A “Moscou” do título não está na Rússia, mas sim na Bélgica. Esclareço: além de capital russa, Moscou é um bairro de periferia de Ghent, cidade do sudeste da Bélgica. Ali ocorre o estranho encontro do caminhoneiro Johnny (Jurgen Delnaet) e da atendente Matty (Barbara Sarafian).

    Casos de amor que surgem com esbarrões, discussões de trânsito, situações atípicas, com a raiva inicial se transformando em ternura, é uma das diversas convenções das comédias românticas. No caso de Moscou, Bélgica, tudo começa assim, mas o que diferencia o humor desse filme está no que acontece depois do primeiro esbarrão.

    Um dos charmes do longa está nos personagens. Esqueça os jovens bem-sucedidos de Nova York ou a sofisticação dos cafés de Paris: temos um caso de amor ambientado na classe trabalhadora, o grosso dos moradores da Moscou belga. A válvula de escape de Matty para a filha “aborrecente” e o filho introspectivo é fofocar com a colega de trabalho dos Correios. Para Johnny, esquecer as burradas do passado é pilotar seu lindo caminhão amarelo. Em vez dos personagens ideiais, temos pessoas imperfeitas.

    Talvez aí esteja a maior qualidade de Moscou, Bélgica: ao mostrar muito mais os defeitos do que as qualidades de seus personagens, consegue uma empatia imediata do espectador, que certamente vai sentir uma aura de vida real no filme.

    Por outro lado, trata-se de ser uma comédia romântica que não vem para cutucar, e sim acomodar e entreter, atendendo os mesmos clichês das produções do gênero – por exemplo, a grande virada final. Mas a produção nunca deixa de ser divertida e um agradável passatempo.

    Curiosamente, as ruas da Moscou do filme tem uma ambientação parecida com Que Fiz Eu Para Merecer Isto?, de Pedro Almodóvar. Tanto lá como cá, um prédio/prisão imenso e repleto de histórias abriga uma dona de casa que tenta viver com um caos familiar ao seu redor e ainda ser feliz.

    A diferença é que a densidade de Almodóvar e seu tato para enfiar o dedo em feridas humanas tornam dão mais lastro ao seu filme. O que não impede perceber que tanto a produção de 84 quanto essa de 2008 tenham seus pontos de diálogo.

    Moscou, Bélgica, estreia de Christophe Van Rompaey na direção de um longa, traz um tempero diferente e oxigena o ar das comédias românticas viciadas. Mas nada profundamente transformador.

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