MUITA CALMA NESSA HORA

MUITA CALMA NESSA HORA

(Muita Calma Nessa Hora)

2010 , 92 MIN.

14 anos

Gênero: Comédia

Estréia: 12/11/2010

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Felipe Joffily

    Equipe técnica

    Roteiro: Bruno Mazzeo, João Avelino, Rosana Ferrão

    Produção: Augusto Case, Rik Nogueira

    Fotografia: Marcelo Brasil

    Trilha Sonora: André Moraes

    Estúdio: Casé Filmes, Ideia Filmes

    Distribuidora: Europa Filmes

    Elenco

    Andréia Horta, Bruno Mazzeo, Fernanda Souza, Gianne Albertoni, Lúcio Mauro, Marcelo Tas

  • Crítica

    09/11/2010 17h07

    Muita Calma Nessa Hora é mais um filme que traz ingredientes para engrossar uma importante discussão: o que é cinema popular? O que significa esse termo que pode abarcar tanto hits de bilheteria como Tropa de Elite 2 e Dois Filhos de Francisco ou filmes que passaram despercebidos pelo público, como É Proibido Fumar?

    Repete-se a necessidade de realizar filmes com “apelo popular” (uma expressão tão subjetiva quanto leitura de bola de cristal) para solidificar uma indústria. Produções que tenham nomes vindos da televisão, uma história contada linearmente, campanha caprichada de marketing meses antes da estreia, de preferência comédia são algumas das características apontadas como potenciais atrativos ao público.

    Aí surge nos cinemas Muita Calma Nessa Hora, comédia dirigida por Felipe Joffily (Ódiquê?) e escrita pelo trio Bruno Mazzeo, João Avelino, Rosana Ferrão. O filme tem várias dessas características do “apelo popular”, mas é difícil encontrar nele méritos cinematográficos. Se tiver bons resultados de bilheteria, ótimo, pois será mais uma produção nacional a chegar ao público, mas Muita Calma Nessa Hora está longe de entrar em outro termo comum quando se discute o espaço para produções brasileiras, o “cinema popular de qualidade” – termo justo aos três primeiros filmes citados no início deste texto.

    A história dessa comédia é simples: três amigas inseparáveis, Tita (Andréia Horta), Mari (Gianni Albertoni) e Aninha (Fernanda Souza), fazem uma viagem a Búzios, Rio de Janeiro, para curar a tristeza de Tita, que descobriu a traição do noivo às vésperas do casamento. No caminho, encontram uma hippie, Estrella (Débora Lamm), e passam por uma jornada de autodescobrimento.

    Ou seja, o bom e velho plot educativo que já deu origem a tantos bons filmes. Pena que essa jornada de autodescobrimento das quatro garotas é um detalhe, desculpa para apresentar paisagens bonitas, meninas de biquíni, meninos de sunga, um rol de canções que figuram no topo das paradas musicais das rádios. Ei!, nada contra a gente bonita no cinema ou às lindas praias de Búzios, mas não estamos diante de uma peça publicitária, mas de um filme. Cinema, a propósito.

    Também não se trata de cobrar que Muita Calma Nessa Hora mergulhe a fundo nas questões existenciais de Tita, Mari, Aninha e Estrella. Afinal, é uma comédia que não quer se levar a sério e abusa dos clichês em todos os personagens.

    Trata-se de apontar como Muita Calma Nessa Hora se parece com um episódio estendido de série televisiva com pouco diálogo com o cinema, seja ele com pretensões de falar a um milhão de pessoas ou a mil. Faltam personagens nos quais acreditemos e tenhamos empatia/antipatia, a história é interrompida a cada 15 segundos por opção de uma montagem doentiamente fragmentada, o riso que diverte não consegue nos fazer olhar paras as situações e rirmos de nós mesmos.
    Muita Calma Nessa Hora não é nem um besteirol adolescente nem um filme sincero com o seu plot educativo. Fica no meio do caminho: um besteirol que se parece mais com uma propaganda das belezas de Búzios com dramaturgia de Malhação.

    Bem que os animais assassinos de Piranha 3D poderiam ter aparecido para devorar os personagens do filme de Felipe Joffily. Se Muita Calma Nessa Hora é o “cinema popular” propagado como o necessário, então o abismo entre filme bom e filme que faz público vai ficar do tamanho de um cânion. Olhando para os números dos últimos 35 anos do cinema brasileiro, sabemos que essa lógica não é regra absoluta.

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