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MULHER-MARAVILHA

(Wonder Woman, 2017)

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30/05/2017 17h19
por Daniel Reininger

A super-heroína mais famosa de todos os tempos finalmente ganha seu próprio filme 75 anos após sua criação. A demora se deve ao peso de tratar sobre um ícone feminino e a obrigação de fazer jus à importância da Mulher-Maravilha no universo pop, mas o longa de Patty Jenkins consegue conquistar seus objetivos, emocionar e afastar qualquer dúvida de que o universo da DC no cinema tem tudo para dar certo.

Com uma história de origem contada em flashback, sem medo de abordar elementos míticos, como a relação de Diana com os deuses gregos, o longa trabalha bem a imagem da mulher com sua protagonista e consegue divertir, algo que nem sempre pode ser dito dos longas mais recentes da editora.

Mais importante, a obra mantém o clima épico apesar de dispensar o tom pesado imposto por Zack Snyder e faz isso sem precisar se render à comédia da Marvel. Mulher-maravilha encontrou um discurso próprio em meio a tantas fórmulas de sucesso e traz algo realmente novo para os filmes baseados em quadrinhos.

Não se engane, o filme é um drama de guerra com elementos de espionagem e, apesar da trama mostrar o treinamento de Diana e como ela entra no mundo cruel dos humanos, em meio ao caos do maior conflito que a humanidade já viu até então, ele traz elementos suficientemente novos para fazer aquela jornada de descobrimento valer a pena e não soar como algo repetitivo.

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A forma como a mitologia é abordada com naturalidade e elementos fantásticos como seu laço e braceletes são introduzidos organicamente, sem exagerar na mão e nem esconder a origem da personagem, é um grande trunfo da obra. As cenas na ilha das Amazonas são ótimas, a chegada de Steve Trevor (Chris Pine) e a ida de Diana a Londres são bem montadas e a atuação da Mulher-Maravilha na primeira guerra mundial é memorável.

O longa funciona melhor quando vemos a reação de Diana ao mundo moderno, tanto dentro quanto fora de combate. Ela tenta entender tudo aquilo, expressa repugnância em relação a muito do que vê e demonstra sabedoria suficiente para entender tudo à sua volta a ponto de perceber que precisa se impor contra a tirania e injustiça. O mais interessante é que, desde o início, ela parece muito à frente do seu tempo (mesmo para os dias de hoje).

Gal Gadot encanta mais uma vez como a protagonista. Seu jeito ingênuo e bondoso é capaz de conquistar o espectador, mesmo quando sua atuação não é tão convincente quanto poderia. Além disso, Chris Pine está muito bem como Steve Trevor (seu charme ajuda), e o mesmo acontece com Connie Nielsen como Rainha Hipólita e Robin Wright como General Antiope.

O longa peca mesmo nos vilões, como já virou padrão em adaptações de HQs. Tanto Elena Anaya como Doutora Veneno quanto Danny Huston como General Erich Ludendorff não acharam o tom correto e ficam muito caricatos, muitas vezes atrapalhando a imersão criada pela boa trama. Entretanto, o verdadeiro antagonista da obra é a guerra e a capacidade da humanidade de causar o mal aos seus semelhantes.

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E apesar do bom design de produção com cenários realistas e fotografia sem a escuridão exagerada característica dos filmes atuais da DC, os efeitos visuais por computação nem sempre estão à altura da importância do longa. Além disso, o exagero de músicas para emocionar é um ponto que poderia ser considerado negativo, mas as boas composições acabam por ajudar no tom épico proposital da obra, então tudo bem.

Dito isso, a maioria das cenas de luta da Mulher-Maravilha são muito bem feitas, com pulos e golpes bem coreografados, alternância entre posições de ataque e defesa, afinal ela não é invulnerável como o Superman e precisa desviar de golpes, como Batman, mas com muito mais força / agilidade do que Bruce Wayne é capaz. Ou seja, seu estilo de luta é realmente cativante.

Sem dúvida, Mulher-maravilha é um filme sobre empoderamento e feminismo, com uma protagonista que sabe o que quer e luta para conseguir o que deseja, sem se importar com o que os outros pensam. Mais importante, Diana é uma mulher real, com falhas, sentimentos e ambições e tem muito mais profundidade do que costumamos ver nesse subgênero. Nesse ponto, vale destaque para a forma como o romance de Steve Trevor e Diana se desenvolve de forma realista e delicada.

Apesar do fraco final, incapaz de manter a qualidade dos outros dois terços da obra, Mulher-Maravilha é o melhor filme do recém-criado universo da DC Comics no cinema. Com foco no desenvolvimento de sua protagonista e na relação dela com um mundo novo e caótico, a trama traz imagens poderosas e questões dignas da importância da maior heroína de todos os tempos.

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Daniel Reininger

Daniel Reininger

Editor-Chefe

Fã de cultura pop, gamer e crítico de cinema, é o Editor-Chefe do Cineclick.

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