MULHERES SEXO VERDADES MENTIRAS

MULHERES SEXO VERDADES MENTIRAS

(Mulheres Sexo Verdades Mentiras)

2007 , 78 MIN.

16 anos

Gênero: Comédia Romântica

Estréia: 11/01/2008

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Euclydes Marinho

    Equipe técnica

    Roteiro: Euclydes Marinho, Rafael Dragaud

    Produção: Euclyves Marinho

    Fotografia: Marcelo Duarte

    Trilha Sonora: Brasov, Edu Krieger, Lucas Marcier, Tato Taborda

    Estúdio: Dona Rosa Filmes

    Elenco

    Daniel Dantas, Fernando Alves Pinto, Fernando Eiras, Júlia Lemmertz, Malu Galli

  • Crítica

    11/01/2008 00h00

    O outro é sempre muito curioso e fascinante, ainda mais quando se trata do outro sexo. O mundo feminino desperta muito interesse nos homens, que desejam conhecê-lo e entendê-lo, e, nas mulheres, numa espécie de "auto-análise coletiva".

    No cinema, na música, na literatura, nas artes plásticas e nas rodas de conversas, o universo feminino é sempre um pouco controverso e está diretamente ligado a conceitos e valores culturais. A contemporaneidade aproxima - e muito - as coisas. Historicamente, isso começa até antes do movimento feminista da década de 60. Pensando mais longe, a reivindicação do direito das mulheres de freqüentar a universidade e votar muda o papel delas na sociedade e, conseqüentemente, a forma de se relacionarem com tudo, inclusive com a sua sexualidade.

    Mulheres Sexo Verdades Mentiras se propõe a fazer uma investigação sobre as mulheres e o que elas pensam sobre sexo com um clima descontraído, como numa conversa de happy hour entre amigas. A discussão sobre masturbação é um momento interessante, por meio de personagens diferentes - como uma senhora de 70 anos, uma mulher casada de 40 e um grupo de jovens -, construindo um panorama em relação à descoberta e o conhecimento do próprio corpo, podendo trazer experiências mais satisfatórias com parceiros.

    Alguns estereótipos se mantêm, como a frustrada que não gosta de sexo, a "tarada" que não pensa em outra coisa, a outra que não fantasia e a boa moça. Enfim, clichês inevitáveis e de certa forma explicativos, para criar um contraponto ou trazer visões diferentes.

    O elo entre todas essas facetas do sexo feminino é a documentarista Laura (Julia Lemmertz). Após um casamento que acabou, ela está descobrindo uma nova fase de sua vida. Criam-se, então, duas narrativas: uma de Laura e sua vida e outra do documentário fictício. Elas se sobrepõem na medida em que os assuntos se desenrolam e que Laura contextualiza-os em seu dia-a-dia. Julia está deslumbrante como a protagonista; segura, linda e apaixonada. A sua Laura se entrega completamente ao seu projeto e aventuras, entra em conflito, ri, chora como uma mulher de verdade.

    A linguagem bastante recortada e recheada de pequenos trechos de depoimentos remete a uma proximidade muito grande com a televisão. Faz sentido, já que o estreante na direção cinematográfica, Euclydes Marinho, é bem conhecido do grande público como roteirista de grandes sucessos que abordam o universo feminino, como Malu Mulher (1979), Confissões de Adolescente (1994) e Desejos de Mulher (2002). Essa linguagem é uma boa solução e bem comum em se tratando de produções independentes (o filme custou R$ 620 mil) e funciona, até certo ponto. Isso porque, em tempos de Sex and the City (seriado norte-americano que foca o universo feminino e virou referência nesse sentido), pode parecer meio forçado. De tão recortado, o discurso quando o assunto é amor, sexo, fidelidade e os cinco minutos da presença masculina soam pré-concebidos demais.

    Ainda assim, as leituras podem ser muitas, de acordo com gerações mulheres e homens que forem assistir a Mulheres Sexo Verdades Mentiras, mas principalmente mulheres. Falar de sexo já foi um grande tabu, mas, mais do que isso, as nuances do assunto são percebidas diferentemente dependendo do momento da vida do espectador. Se alguns podem se chocar com a franqueza ou frases, outros as verão de forma muito natural e bem resolvida.

    O grande problema em querer falar de todas as mulheres é acabar falando de mulher nenhuma e sim da imagem construída por meio de clichês que só existem no imaginário coletivo. Às vezes, para falar de todas basta uma. No mais, o filme é legal para ser assistido sem ser levado muito a sério.

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