NA CAPTURA DOS FRIEDMANS

NA CAPTURA DOS FRIEDMANS

(Capturing the Friedmans)

2003 , 107 MIN.

Gênero: Documentário

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Andrew Jarecki

    Equipe técnica

    Produção: Andrew Jarecki, Marc Smerling

    Fotografia: Adolfo Doring

    Trilha Sonora: Andrea Morricone

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    Nós éramos uma família. A frase, dita por Elaine Friedman, pode resumir o sentido do documentário Na Captura dos Friedmans. Concorrente ao Oscar em Melhor Documentário, a produção, dirigida por Andrew Jarecki, é um honesto retrato da decadência de uma família aparentemente bem estruturada.

    Os protagonistas deste documentário são os Friedmans. Na década de 80, Arnold, o pai, foi acusado de molestar seus alunos e de esconder pornografia infantil em casa. Além disso, seus filhos também estariam envolvidos nos crimes. Como resultado, Jesse (o irmão mais novo, de 18 anos) e Arnold foram presos. O documentário acompanha - por meio de entrevistas e vídeos caseiros feitos pela própria família - o drama dos Friedmans e como aconteceu a desintegração do núcleo familiar depois das acusações.

    Enquanto os filhos e os próprios condenados afirmam veemente que ninguém molestou crianças, a mãe está convencida de que o crime aconteceu. O espectador, por sua vez, fica sem saber se houve ou não crime. A única conclusão à qual chegamos é que a família era aparentemente feliz em uma pequena e rica cidade nos EUA. O escândalo fez com que a união entre nossos protagonistas desaparecesse.

    Na Captura dos Friedmans é um documentário sensível, tocante. Afinal, tão triste quanto a injustiça que poderia ter acontecido, ou mesmo o crime sexual contra crianças, é a destruição de uma família por conta de um escândalo. A história, inclusive, faz com que os brasileiros puxem da memória o famoso episódio da Escola Base. Para quem não se lembra do célebre caso (citado sempre nos bancos das escolas de jornalismo no Brasil inteiro), em 1994, uma série de acusações contra uma pequena escola infantil da capital paulista dizia que os professores e donos do local estariam promovendo orgias envolvendo os alunos. A imprensa e a polícia fizeram um verdadeiro circo em torno do assunto (assim como foi feito no caso dos Friedmans), o que destruiu a vida de todos os acusados. Mais tarde, foi provado que as acusações não faziam sentido, mas já era tarde: a vida dos acusados nunca mais voltou a ser a mesma (assim como no documentário de Jarecki).

    No caso de Na Captura dos Friedmans, não há provas da inocência dos acusados. Mas, mesmo que se saíssem livres dessa, seria tarde demais, pois a família foi definhando aos poucos. O mais curioso (e trágico) disso é que essa decadência foi devidamente registrada pelas câmeras familiares. Vindas de dentro do próprio lar de seus documentados, Jarecki consegue as tomadas mais valiosas que qualquer documentarista poderia conseguir. Dessa forma, é difícil deixar de se emocionar quando um dos filhos, por exemplo, desabafa para a câmera e culpa imprensa e polícia pela destruição de sua família.

    Na Captura dos Friedmans perturba por mostrar ao espectador que ninguém sabe da verdade plena. Nem mesmo Jarecki deve ter chegado a muitas conclusões depois de investigar a crise dentro da casa dos Friedmans. A verdade tem, sim, dois lados. O que nos basta é ouvir e, pelo menos de vez em quanto, deixar de julgar. Mas não tenha medo de discutir os acontecimentos do filme depois da sessão: você vai querer fazer isso de qualquer forma.

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