NA ESTRADA

NA ESTRADA

(On The Road)

2011 , 137 MIN.

16 anos

Gênero: Drama

Estréia: 13/07/2012

página inicial do filme
  • Ficha técnica

    Direção

    • Walter Salles

    Equipe técnica

    Roteiro: Jose Rivera

    Produção: Charles Gillibert, Jerry Leider, Nathanaël Karmitz, Rebecca Yeldham, Walter Salles

    Fotografia: Éric Gautier

    Trilha Sonora: Gustavo Santaolalla

    Estúdio: American Zoetrope, Film4, MK2 Productions, Video Filmes

    Distribuidora: PlayArte

    Elenco

    Alice Braga, Amy Adams, Barbara Glover, Bennie Bell, Coati Mundi, Dan Beirne, Danny Morgan, Elisabeth Moss, Emily D. Haley, Garrett Hedlund, Giovanna Zacarías, Greg Kramer, Imogen Haworth, Jacob Ortiz, Jake La Botz, Janeé Crump, Jeffrey T.Ferguson, Joe Chrest, Joey Klein, Kaniehtiio Horn, Kim Bubbs, Kirsten Dunst, Kristen Stewart, Kymberly Jenal, LaFonda Baker, Larry Day, Madison Wolfe, Marie-Ginette Guay, Matthew Deano, Murphy Moberly, Patrick JohnCostello, Richardo Andres, Rocky Marquette, Sam Riley, Sarah Allen, Sean J. Dillingham, Sona Tatoyan, Steve Buscemi, Terrence Howard, Tetchena Bellange, Timothy A. Vasquez, Tom Sturridge, Viggo Mortensen

  • Crítica

    10/07/2012 22h47

    A adaptação cinematográfica do cultuado livro On the Road é episódica e de certo modo inconstante, mas não poderia deixar de ser assim. Segue na mesma frequência da obra de Jack Kerouac, de seus personagens, vagando sem rumo certo. Apesar da estranheza, Walter Salles tem êxito ao capturar e prender a atenção do espectador ao longo do filme, mesmo que esse se sinta por vezes contrariado ao não poder se deter mais um pouco num lugar ou personagem. Mas não é possível a retenção, é preciso seguir adiante na estrada e Salles sabia bem disso. O cineasta fez o que deveria ser feito, mesmo correndo os riscos inevitáveis de levar as telas uma obra difícil de adaptar.

    Para encarar a empreitada de transpor On the Road para as telas mais de meio século depois de seu lançamento, Salles não poupou esforços em se inteirar de tudo e de todos que compuseram o cenário conhecido como “beat” – o resultado da exaustiva pesquisa, por sinal, vai se transformar em documentário a ser lançado no futuro. Por outro lado, o diretor teve de se desfazer de todas as análises posteriores sobre a época e seus personagens para poder mostrar um grupo de jovens em busca de autoconhecimento diante das incertezas daqueles dias. E neste ponto o filme consegue estreitar laços com o público, mesmo com aqueles que não leram o livro, pois quem foi jovem um dia já pegou a estrada, mesmo que metaforicamente, ou sonhou em sair por aí sem rumo ou subvertendo a ordem.

    Ambientado na América do fim dos anos 40 e do início dos anos 50, Na Estrada mostra as desventuras e experimentações lisérgicas de Sal Paradise (Sam Riley), alter ego de Jack Kerouac, que constrói uma amizade improvável com o ex-presidiário Dean Moriaty,representado pelo excelente ator Garrett Haedlund – este, melhor que ninguém no filme, pareceu entender que seu personagem representa o melhor e o pior que o sonho americano tem a oferecer. O rapaz dá um show. Juntos, atravessam os Estados Unidos ao lado de Marylou (Kristen Stewart), jovem pronta a assumir quaisquer riscos e disposta a experimentações, apesar de se mostrar menos inconsequente que seus parceiros masculinos.

    Ao longo de sua travessia, o trio faz encontros fugazes com interessantes personagens: Viggo Mortensen dá vida a William S. Burroughs, poeta e assassino que serviu de modelo para o personagem de Bull Lee; Steve Buscemi é um homossexual enrustido travestido de conservador; e jovem Tom Sturridge interpreta Carlo Marx, que reprenta o poeta da geração beat Allen Ginsberg.

    Na Estrada é tão bom quanto poderia ser. Um deleite para o olhar, mas construído em blocos. Salles tem um forte senso de ambientação, não se pode negar. Cada paisagem, bar, rodovia ou quarto barato de motel ganha o tom vibrante ou decadente apresentado no livro. Tudo ressaltado pela fotografia precisa de Eric Gautier e interpretações convincentes. Um filme correto, mas que por sua própria essência não possui um propósito narrativo, um alvo a atingir, assim como seus personagens que caminham a esmo. Depois de um tempo, essa indefinição dos protagonistas e da trama inevitavelmente pode cansar a audiência.

    Mesmo acostumado a road movies, como Central do Brasil e Diários de Motocicleta, Walter Salles desta vez se aventurou em terreno experimental, assim como Kerouac fez em seu livro. Na Estrada é sobre pessoas em busca de sensações, experiências, um way of life que ainda não havia sido codificado na cultura da época. E como estes personagens, o filme é anda, anda, mas sem um sentido real ou objetivo a alcançar.

    A liberdade sem propósito é a regra e a recusa das normas e imposições dos personagens de On the Road se tornaria o lema das gerações seguintes. Esta liberdade e inconformismo também teve seu preço para seus protagonistas, o que era inevitável. Walter Salles foi à origem desse pensamento, desse comportamento anarquista, e seu filme também paga o preço. E o custo - alto ou não - foi o de fazer uma adaptação precisa sem se render a um modelo de narrativa mais palatável e atraente. Mas daí não seria uma do livro Kerouac. Por isso, desde que foi lançado em Cannes Na Estrada vem colhendo elogios e reações frias na mesma proporção. Vá ao cinema e se posicione do lado da trincheira que mais lhe convier. Liberdade é isso, meu chapa!

Deixe seu comentário
comments powered by Disqus