Na Quebrada

NA QUEBRADA

(Na Quebrada)

2014 , 92 MIN.

14 anos

Gênero: Drama

Estréia: 16/10/2014

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Fernando Grostein Andrade, Paulo Eduardo

    Equipe técnica

    Roteiro: André Finotti, Fernando Grostein Andrade, Marcello Vindicatto

    Produção: Cadu Ciampolini, Eduardo Nasser, Fernanda Torturra, Luciano Huck, Paulo Ciampolini

    Fotografia: Fernando Grostein Andrade

    Trilha Sonora: Lucas Lima

    Estúdio: Globo Filmes, Spray Filmes

    Montador: André Finotti, Raoni Rodrigues

    Distribuidora: Downtown Filmes, Paris Filmes

    Elenco

    Cláudio Jaborandy, Daiana Andrade, Domenica Dias, Emanuelle Araújo, Eucir de Souza, Felipe Simas, Gero Camilo, Jean Amorim, Jorge Dias, Marcello Gonçalves, Paula Cohen

  • Crítica

    16/10/2014 21h17

    Na Quebrada, primeiro longa de ficção do documentarista Fernando Andrade ( Quebrando O Tabu) vai mais uma vez visitar o recorrente tema do cinema brasileiro, a favela. Porém o foco desta vez é contar histórias de jovens que tiveram a oportunidade de mudar seus destinos, por meio do envolvimento com o cinema.

    A história começa com uma cena de violência, quando Zeca (Felipe Simas) leva um tiro e jura vingança aos criminosos. Enquanto isso, seu melhor amigo Gerson (Jorge Dias) é filho de um famoso traficante (Anderson Lima) que tenta mantê-lo fora do mundo do crime. Os dois acabam entrando no Instituto Criar (criado por Luciano Huck, produtor do filme e irmão de Fernando), uma ONG de cinema para jovens de baixa renda, na esperança de mudar suas realidades.

    Além dos dois meninos, conhecemos também as histórias de Mônica (Domênica Dias), cujos pais e irmão são cegos; Joana, que sofre com o pai abusivo e sonha com a mãe desconhecida (Daiana Andrade); e Júnior (Jean Luis Amorim), que adora concertar eletrônicos, mas só se mete em confusões. Fora Simas (ator de Malhação), o elenco é estreante, mas demonstram uma sensibilidade em cena que os torna bastante convincentes.

    Cada uma das histórias tem sua própria força e expõe os problemas como pobreza, violência, narcotráfico e abandono em cenas fortes e muitas vezes gráficas, mas que focam em detalhes como expressão facial, e não o sangue jorrando. O foco não é mostrar repetidamente as dificuldades, e sim a importância da família e o que cada um faz para correr atrás de seu sonho.

    Apesar das histórias reais que formam a base do roteiro serem bem fortes, a narrativa se perde em uma confusão de vai e volta entre passado e presente. Ainda que as gírias e o humor das trapalhadas de Júnior deixem o clima mais leve e fuja dos dramalhões da periferia, não é o bastante para inovar o roteiro, cuja trama fica no que já conhecemos de produções nacionais semelhantes.

    Mesmo com a falha na exposição da história, nota-se uma preocupação com alguns detalhes artísticos. A trilha sonora (elaborada pelo músico Lucas Lima) tem bom timming, e por vezes gera um contraste entre cena forte e música leve, quebrando o clima de tensão. A produção também acerta em mostrar a cidade de São Paulo sempre com o seu característico clima cinza, além de expor o cenário de periferia sem forçar a barra.

    O filme tenta cruzar mundos ao colocar participações especiais distintas: de um lado Gero Camilo e a italiana Monica Belucci, do outro os detentos do grupo de teatro Do Lado de Cá, organizado dentro do presídio. É interessante ver Anderson Lima, o pai de Gerson, que estava preso na época da filmagem e mesmo assim não mostra amadorismo em seu primeiro trabalho como ator. E mesmo que a filmagem faça uso constante de close-ups, todos os atores principiantes não se acanham frente às câmeras.

    É perceptível a influência documental que Na Quebrada, inclusive foi dito na coletiva de imprensa que o primeiro objetivo era um documentário. E a questão de que o filme trata de histórias (quase) reais e faz uso da comunidade das quebradas e de presidiários para construir o universo, mas falha na construção da narrativa, acaba criando o desejo de que fosse de fato um documentário, no qual as histórias pudessem ser mais bem exploradas e aprofundadas.

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