NAÇÃO FAST FOOD - UMA REDE DE CORRUPÇÃO

NAÇÃO FAST FOOD - UMA REDE DE CORRUPÇÃO

(Fast Food Nation)

2006 , 113 MIN.

14 anos

Gênero: Drama

Estréia:

página inicial do filme
  • Ficha técnica

    Direção

    • Richard Linklater

    Equipe técnica

    Roteiro: Eric Schlosser, Richard Linklater

    Produção: Jeremy Thomas, Malcolm McLaren

    Fotografia: Lee Daniel

    Trilha Sonora: Bill Elm, Friends of Dean Martinez

    Elenco

    Ashley Johnson, Avril Lavigne, Bobby Canavalle, Catalina Sandino Moreno, Erinn Allison, Ethan Hawke, Greg Kinnear, Luis Guzmán, Mitch Baker, Patricia Arquette, Wilmer Valderrama

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    É de conhecimento público e geral que comer em redes de lanchonetes fast-food é péssimo para a saúde de qualquer um e, mesmo assim, milhões de pessoas continuam mantendo este hábito no mundo inteiro. Faz parte do paradoxo humano continuar fazendo coisas que todos sabemos que são prejudiciais a nós mesmos, como beber em excesso, fumar, comer junk food ou torcer pelo Corinthians.

    Assim, a denúncia do filme Nação Fast Food - Uma Rede de Corrupção - de que a carne dos hambúrgueres de uma rede de lanchonetes estaria misturada ao estrume dos bois - não chega a ser exatamente estarrecedora para um país que tem um Senado como o nosso, posto que estamos acostumados a escândalos muito mais escatológicos. Sim, é um bom filme que se acompanha com interesse, mas não chega a ser explosivo, como se anunciou no ano passado, quando Nação Fast Food - Uma Rede de Corrupção foi convidado a integrar a cobiçada mostra competitiva do Festival de Cannes.

    Tudo começa quando uma fictícia rede de fast food chamada Mickey recebe os resultados de um exame, comprovando que seus hambúrgueres contêm um alto índice de coliformes fecais. O presidente da empresa envia Don Henderson (Greg Kinnear, de Pequena Miss Sunshine), um de seus diretores, até à cidade de Cody, na fronteira com o México, onde os bois são abatidos e a carne é processada industrialmente. A idéia é que Don investigue o caso.

    Paralelamente, o filme também mostra o contrabando de imigrantes ilegais, que cruzam a fronteira em direção aos EUA arriscando a própria vida. Não é difícil perceber que as duas pontas vão se encontrar: sem direitos legais, os imigrantes são contratados para trabalhar no matadouro, onde as condições de trabalho são péssimas, formando assim um círculo vicioso que - como não poderia deixar de ser - acaba contaminando a carne.

    O diretor Richard Linklater, o mesmo de Antes do Amanhecer e Antes do Pôr-do-Sol, expõe todo este processo de forma sóbria. Esqueça os filmes de ação investigativa com lances de heroísmo e vilões e mocinhos trocando tiros pelas ruas: tom de Nação Fast Food - Uma Rede de Corrupção beira o documental.

    Há, sim, momentos interessantes de crítica sarcástica. Por exemplo: quando Don chega à cidadezinha, ele ostensivamente estaciona seu carro diante de um McDonald's que a câmera faz questão de enquadrar de forma marcante - como que deixando claro que a tal da rede Mickey, inventada pelo filme, é apenas uma forma dos produtores não serem processados pelo verdadeiros "culpados" da história. Ou o discurso fascista do personagem interpretado por Bruce Willis, numa divertida participação especial. E também há cenas nas quais Linklater deixa a sutileza de lado e "brinda" o espectador com um banho de sangue, explicitando o processo de abate do gado. É de deixar qualquer um com aversão a carne por um bom tempo.

    Provavelmente, porém, o grande recado do filme é passado de maneira cínica: por que o presidente de uma empresa mandaria um diretor de marketing para investigar um caso de contaminação? Certamente porque, cada vez mais, a imagem corporativa está cima de qualquer preocupação com a saúde do consumidor. E não importa quantos mexicanos ilegais tenham que morrer para comprovar tudo isso.

    Um detalhe final: totalmente avesso à autocrítica, o povo americano preferiu não ver o filme, que faturou um mísero milhãozinho de dólar nas bilheterias do país.

Deixe seu comentário
comments powered by Disqus